Quem acompanha o noticiário político, principalmente fatos envolvendo deputados federais em Brasília, deve ter se sentido bastante desanimado com a qualidade dos nossos representantes legislativos eleitos. Que se avalie o momento em que deputados até entraram em luta corporal por causa da votação que deu uma acachapante derrota ao governo quanto à formação da comissão que vai apreciar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Houve xingamentos, empurra-empurra e quase agressões entre pares na Câmara dos Deputados. No final, a maioria dos computadores que recebiam os votos foi destruída, numa tentativa tacanha e truculenta de evitar que o processo fosse concluído. Nos dois dias seguintes (anteontem e ontem) a situação não mudou, desta vez na reunião da comissão que avalia o processo de cassação do presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que não consegue fazer o seu trabalho evoluir.
É um espetáculo deprimente, que dá razão à maioria dos brasileiros que afirma não acreditar nos nossos políticos, conforme diversos levantamentos já mostraram. Além destes episódios desabonadores, ainda paira sobre grande parte dos legisladores (no Senado e na Câmara) a suspeita de que tenham se beneficiado com propinas, dinheiro desviado de estatais e até de ministérios, como novas investigações da Polícia Federal estão demonstrando. Aqui, o fisiologismo é a motivação principal da maioria destes representantes eleitos que trocam o interesse público pelo pessoal. Não dão importância às necessidades daqueles que lhes deram o mandato, deixam o interesse público em décimo plano, buscando vantagens pessoais mesmo que isso sangre os cofres públicos.
Em Franca, a Câmara de Vereadores, nos últimos anos, deu seguidas mostras de que o interesse da maioria dos seus integrantes não coaduna com os anseios da comunidade. Como se pode confiar numa Câmara que ainda baixa a cabeça para todas as determinações do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), mesmo que sejam ilegais ou imorais? Um Legislativo que manteve o mandato de um vereador flagrado tentando “comprar” o silêncio de um contribuinte ou de outro que agrediu um eleitor com um tapa na cara dentro do plenário? Agora, pelo menos sete vereadores pretendiam, na surdina, aprovar um reajuste dos vencimentos parlamentares para a próxima legislatura, mesmo que a conjuntura atual seja adversa. O caso só não deve ir à frente por ter sido descoberto. É isso o que move nossos políticos, o que não pode lhes causar uma indignação fingida contra a própria classe. Como diz o velho ditado, quem planta colhe...
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