O ajudante-geral Cairo César Cruz, 24, que dirigia o Fiat Linea no momento do acidente na avenida Paulo VI, em outubro, será indiciado por homicídio doloso. O delegado Dalmo Mateus Polo, responsável pelas investigações, considerou que, por dirigir em alta velocidade e após beber, como apontam as provas, testemunhas e imagens da padaria Boulevard, o jovem assumiu o risco de matar.
No final da tarde de ontem, o indiciado chegou ao 4º Distrito Policial acompanhado de seu pai e do advogado de defesa, Ronaldo Rogério. Com um braço imobilizado, algumas cicatrizes no rosto e semblante abatido, Cairo prestou depoimento por mais de 40 minutos e se recusou a conceder entrevista.
Entre suas falas, estavam negações a respeito de ter ingerido bebida alcoólica e afirmações sobre não se recordar com clareza dos momentos passados na padaria com os amigos e as três jovens mortas. O ajudante-geral também disse só se lembrar do impacto sofrido pelo Linea ao bater nas placas e na árvore do canteiro central da avenida Paulo VI.
Cairo ainda afirmou não se recordar sobre dirigir em alta velocidade por “não estar observando o velocímetro do carro”, mas que o veículo possui um dispositivo sonoro que avisaria se ele estivesse acima de 100 km/h, conforme o que ficou atestado pelo laudo da perícia na última segunda-feira.
Para o advogado de defesa, o documento foi totalmente inconclusivo. “O laudo afirma que ele provavelmente estaria a 100 km/h. Porém, não dá para precisar, no momento exato do acidente, qual a velocidade”, disse. Sobre o indiciamento por homicídio doloso de seu cliente, Ronaldo afirmou que, se o Ministério Público acatar a denúncia, passará a elaborar a defesa. “Acredito que não há fundamento e provas suficientes para enquadrar por homicídio doloso”.
De acordo com Dalmo Polo, no entanto, o laudo e as imagens de circuitos de segurança de lojas da avenida atestam que o jovem estava acima do limite permitido na via. A velocidade não deveria passar de 60 km/h. “Além das filmagens e da perícia, a irmã da Carolina disse que o Cairo estava em alta velocidade enquanto dirigia até a padaria, que estava fazendo gracinha e havia bebido durante todo o tempo em que estava no local”, relatou.
Ainda segundo o delegado, o inquérito será encerrado até a próxima quarta-feira e será encaminhado ao Ministério Público. “Devido ao clamor social, as investigações e pela forma como ocorreu o acidente, ele responderá por homicídio doloso na modalidade dolo eventual (quando o indiciado prevê o resultado de um crime, não quer que aconteça, mas assume o risco de matar)”, disse. Se condenado, Cairo poderá receber uma pena de 6 a 20 anos de reclusão.
PONTO A PONTO
• 31 DE OUTUBRO
Três mulheres morreram em acidente na Paulo VI. CEG, 16, teve ferimentos leves. O motorista, Cairo, foi socorrido
• 5 DE NOVEMBRO
Duas testemunhas que viram o acidente foram ouvidas. Ambos disseram que Cairo dirigia em alta velocidade
• 7 DE NOVEMBRO
Após uma semana, Cairo deixou o CTI da Santa Casa. Ele ficou entubado e sedado devido aos ferimentos.
• 9 DE NOVEMBRO
Irmã de uma das vítimas disse que enquanto foi à padaria, Cairo dirigia em alta velocidade. Lá, ele estaria bebendo
• 12 DE NOVEMBRO
Cairo teve alta da S. Casa após 12 dias internado. Depois, passou por cirurgias por conta de ferimentos no rosto
• 16 DE NOVEMBRO
Dois amigos que estavam na padaria disseram que Cairo estava com um copo, mas não souberam falar o que bebia.
• 7 DE DEZEMBRO
Segundo o laudo da perícia, Cairo estava “a pelo menos 100 km/h” quando o veículo bateu na Paulo VI
• 10 DE DEZEMBRO
Cairo prestou depoimento e negou ter ingerido bebida alcoólica enquanto na padaria Boulevard
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