Hora do diálogo


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Como se sabe, o secretário da Educação do Estado de São Paulo, Herman Voorwald, pediu para deixar o cargo na tarde da última sexta-feira, dia 4, logo após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar a suspensão da reorganização escolar na rede estadual de ensino, projetada e implementada por sua pasta.
 
O projeto de reorganização das escolas era uma aposta da Secretaria da Educação, mas esbarrou em uma grande resistência por parte de alunos, pais e professores, inflada por agitadores profissionais, partidos políticos e movimentos sociais, culminando na ocupação de cerca de 200 escolas e protestos nas ruas com repressão policial.
 
Revelando, ainda uma vez, sua sensibilidade política, o governador também anunciou, em entrevista à imprensa, o propósito de retomar esse projeto — tecnicamente bem elaborado — mas preceder essa retomada de um diálogo franco e aberto com os professores, os pais dos alunos e a comunidade em geral. 
 
A falta de diálogo da secretaria da Educação com a sociedade — pela qual o governador, evidentemente, não pode ser responsabilizado — ao não divulgar, de modo claro e inequívoco as razões da mudança, bem como custo e destinação certa de cada prédio, acabou ensejando, de parte dos sabotadores desse projeto, divulgação de mentiras como a de que o governo iria fechar escolas.
 
A reestruturação, em si, é correta porque permitirá a otimização de recursos e o uso de prédios quase ociosos, em benefício dos estudantes. 
 
O que faltou foi explicá-la, didaticamente, à sociedade. Alckmin foi claro: ‘Vamos dialogar em escola por escola. O ano de 2016, que seria de implantação da medida, será um ano de aprofundarmos esse diálogo’. 
 
Por outro lado, foi feliz o governador, ao usar uma frase do papa Francisco para explicar sua decisão de adiar a reorganização: ‘Entre a indiferença egoísta e o protesto violento há sempre uma opção possível: o diálogo’. 
 
 
Welson Gasparini
Deputado estadual, advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto

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