Entrega de Bernardino Pucci será em março de 2016, garante Caixa


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O aposentado Mauro Neves, contemplado com um apartamento, reclama da demora na entrega
O aposentado Mauro Neves, contemplado com um apartamento, reclama da demora na entrega
A entrega dos 496 apartamentos do conjunto habitacional Bernardino Pucci, do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, deverá ocorrer apenas em março de 2016, de acordo com a Caixa Econômica Federal. Inicialmente, a Prefeitura havia informado que o empreendimento seria entregue em setembro deste ano, mas a data foi adiada e agora os contemplados devem receber as chaves somente daqui a quatro meses.
 
O residencial, que fica próximo ao Recreio Campo Belo, começou a ser construído em 2013, sendo os contemplados sorteados no ano seguinte e o sorteio dos endereços dos apartamentos em agosto deste ano. A esperança dos contemplados era que todos os imóveis fossem entregues no mês previsto. Mas, na época, a Prefeitura informou que o prazo não deveria ser cumprido, sem informar qual seria a nova data.
 
Para o aposentado Mauro Lima, 53, morador do bairro Boa Vista, a demora tem sido motivo de frustração e tristeza. “Estamos esperando há meses pela entrega e ninguém nos informa nada. Ainda nem assinamos os contratos e essa é a realização do nosso sonho da casa própria. Pelo visto, vão esperar o próximo ano para fazer propaganda política”, disse.
 
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Caixa informou que a entrega do empreendimento é realizada pela construtora após conclusão da obra e apresentação dos documentos necessários para sua legalização, informando que o atraso seria por falta de parte da documentação que deveria ser apresentada pela Prefeitura.
 
Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura se limitou a dizer que, por parte da administração não existem pendências, indicando que a construtora deveria ser procurada.
 
De acordo com Wilson Cairo, representante da construtora Predial Suzanense, responsável pela execução do empreendimento, o residencial ficou pronto no início de novembro e, atualmente, a documentação, para que os apartamentos sejam liberados, está em processo de registro no cartório.
 
Condomínio
A demora na entrega dos apartamentos não é o único problema enfrentado pelos futuros moradores. A previsão de custos com a taxa de condomínios também tem tirado o sono dos contemplados. 
 
Para a coladeira de peças Roseli Eugênio Pereira, 28, o valor de R$ 125, previsto como custo mensal para a taxa de condomínio, é “alto” e seria “incompatível” com as mensalidades que os mutuários pagarão pelos apartamentos, que gira entre R$ 80 e R$ 100. “Estamos falando de um condomínio para pessoas de baixa renda e esse valor é muito alto”, disse.
 
O mesmo questionamento é reforçado pela dona de casa Neide Bisco Rangel, 50. Ela, que dividirá o apartamento apenas com o marido, acredita que os valores são “abusivos”. “Somente a taxa de condomínio representa 12% do salário do meu marido e a prestação representará mais 25%. Com o preço das coisas hoje em dia, não sei como vamos nos manter. E olha que isso nem conta com a energia”, disse. 
 
A gerente da Neves Administradora de Condomínios, empresa contratada pela Caixa para orientar na gestão do condomínio, Simone Simon, os valores são apenas uma previsão, mas os próprios moradores decidirão o que constará no condomínio. 
 
“O valor não está estabelecido, realizamos reuniões para falar sobre a perspectiva para que eles decidam sobre o que deve constar no condomínio”, disse a gerente. “Não foi imposto para eles nenhum valor. Incluímos a água, mas fomos informados que a Prefeitura tem um projeto para pessoas de baixa renda que pagam uma taxa menor de água, por isso, os valores podem mudar ainda”, completou. 

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