Quem é o pobre que está no poder?


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Depois da abertura de um processo do impeachment de Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva intensificou os encontros com aliados, entidades simpáticas ao seu partido e militantes na expectativa de conseguir reverter o quadro atual, altamente desfavorável à chefe da Nação. Lula tem exagerado na defesa, como o falastrão de sempre, insistindo na tese de que o impedimento da presidente é um golpe. Esperto, evita citar os escândalos seguidos que envolvem o “núcleo duro” do PT, sendo que vários de seus líderes hoje amargam a prisão em Curitiba, no âmbito da investigação da operação Lava Jato, depois de alguns já terem sido sentenciados e presos no caso do Mensalão. Ao contrário do que afirma o ex-presidente, o pedido tem embasamento, a começar pelas irregularidades levantadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na condução da política econômica pelo governo Dilma.
 
Lula extrapola ao tentar contrapor os defensores do processo ao povo brasileiro. Como sempre avesso à leitura de jornais e revistas, sem acompanhar com atenção os noticiários televisivos, o ex-presidente mostra não perceber que a maioria da população brasileira não suporta mais apoiar um governo que não deu qualquer demonstração de capacidade para contornar a crise. E ainda incorre num grave erro ao dizer que a oposição está querendo tirar o pobre do poder. Ele só precisa mostrar onde há pobres na administração petista, uma vez que, ao lado de seus aliados, soube muito bem se aproveitar da situação e hoje está milionário. Isso inclui seus filhos, cujos negócios são alvo de investigação por causa do enriquecimento rápido, sempre recebendo fortunas de empresas hoje implicadas nos escândalos da Lava Jato e da Zelotes.
 
O Brasil, hoje, já não espera nada objetivo de um governo que não conseguiu fazer frente à inflação, ao desemprego e à produção em queda. Programas sociais sofrem cortes seguidos (mais de 800 mil já foram limados do Bolsa Família e o Pronatec fechou quase um terço das vagas), benefícios trabalhistas consolidados sofreram restrições e os preços explodem em ritmo acelerado, deixando a expectativa de um índice inflacionário de dois dígitos ao final do ano e retração da atividade econômica, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto) acima de 3%. De acordo com levantamentos recentes, praticamente todos os que tiveram melhora no padrão de vida voltaram ao patamar de uma década atrás. Por isso, o discurso de Lula demonstra um desespero no sentido de preservar o plano de poder (que chama de “plano de governo”) calcado em propinas, fraudes, corrupção e roubo descarado do dinheiro público. Mas pelo andar da carruagem, parece que o fim do lulo-petismo está próximo. Como diz o velho ditado, ninguém engana todos o tempo todo. 
 
 
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