País não pode mais ficar em suspenso


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Os processos abertos na Câmara dos Deputados — cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da casa e impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) — são irreversíveis. Diante disso, o Brasil não pode mais ficar à mercê da crise institucional que se arrasta desde o começo do ano. O País ja perdeu onze meses em discussões, digressões e negociações que não surtiram os resultados desejados por Cunha e Dilma. Hoje, à beira de uma inédita depressão, com o crescimento econômico em baixa, inflação em alta, retração do mercado de trabalho e produção estagnada, o Brasil não pode mais ficar à espera de uma decisão, seja qual for, para começar a atacar a crise e os índices que nos levam ladeira abaixo desde o ano passado. A intenção de esperar o recesso parlamentar para depois decidir o destino da presidente é inoportuna, principalmente em razão do recrudescimento desta crise.
 
Um dos principais setores do País, a indústria automobilística, registrou até o mês passado uma queda de 23% na sua produção, o que reflete no aumento do desemprego e dos acordos de “lay-off” (redução de jornada e de salários), além das férias coletivas. Esta situação cria um efeito cascata que impacta todos os setores, como varejo, serviços, construção civil e agronegócio. No mês passado o País só registrou superávit na balança comercial por causa da queda vertiginosa das importações, em razão do câmbio desfavorável. No mês passado, reportagem do Comércio mostrou que nada está bem aqui na terra do calçado: empresas tradicionais recorrem ao instrumento da recuperação judicial, fábricas fecham as portas ou colocam seus funcionários em férias coletivas e caem vertiginosamente os novos investimentos. A situação é a mesma da registrada em todo o Brasil.
 
Não cabe neste momento um juízo de valor a respeito dos processos contra Cunha e contra Dilma. É preciso que se entenda a necessidade de acelerar o processo para que uma decisão, a favor ou contra, permita ao País enfrentar os seus problemas, que são graves e de difícil solução. Caso Dilma perca o mandato, a transição será capaz de trazer novas perspectivas para o enfrentamento da crise. Se, ao contrário, ela permanecer, pode conseguir a legitimidade — do mercado e dos investidores estrangeiros — para implantar as medidas que considera ideais para atacar a recessão. Não podemos mais esperar. A Nação também não. Temos que entrar em 2016 com estabilidade política para que possamos perseguir a econômica. Se os processos se arrastarem além do necessário, sofreremos todos nós, os principais atingidos pela crise econômica que só teima em crescer.
 
 
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