Das ondas da rádio para as páginas do livro


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José Rasteiro apresenta seu programa na rádio Imperador, onde trabalha há 44 anos. Acima, aparece em foto de 1962 com integrantes do conjunto Retucci, na  rádio Difusora
José Rasteiro apresenta seu programa na rádio Imperador, onde trabalha há 44 anos. Acima, aparece em foto de 1962 com integrantes do conjunto Retucci, na rádio Difusora
Vapo, lepo. Difícil encontrar um morador de Franca que nunca tenha ouvido ou falado uma dessas expressões. Os bordões ficaram famosos e passaram a fazer parte do vocabulário francanês ao serem repetidos com exaustão nas ondas da rádio, ao longo das últimas cinco décadas, por José Rasteiro Filho. O radialista que mantém a essência caipira e que não deixou se levar pela modernidade, é um personagem marcante na cidade. Com um dom nato de criar e interpretar, deu vida a mais de vinte personagens. As brincadeiras e imitações que artistas fazem hoje nas mais diferentes mídias, ele cansou de fazer no picadeiro do circo. O contador de histórias, agora, vai entrar para a história. Literalmente. Zé Rasteiro será o tema de um livro que contará sua trajetória. 
 
Se não bastasse, também ganhou o Título de Cidadão Francano. Zé Rasteiro completou 79 anos neste sábado, dia 5 de dezembro. Não é exagero nenhum, nem força de expressão, dizer que tem uma vida dedicada ao rádio. Afinal de contas, são 53 anos ininterruptos de dedicação ao microfone. Natural de Jardinópolis, ele deu os primeiros passos na profissão em Ribeirão Preto na década de 60. “Eu nasci lá na roça e já comecei a estudar rádio e mexer com microfone. Comecei gaguejando na rádio Clube. Depois, fui para a rádio Colorado de Jardinópolis. Posteriormente, vim para Franca”.
 
A primeira parada em Franca foi na rádio Piratininga, atual Difusora, da qual participou da inauguração. Também passou pela PRB5 (atual Hertz). Em 1971, ajudou a inaugurar a Rádio Imperador, onde está há 44 anos.
 
É conhecido pelo jeitão caipira, pelo raciocínio rápido e pelas brincadeiras que faz com os ouvintes, colegas de trabalho e com ele mesmo. É um piadista. “Criei uns 20 personagens, mas o que pegou mais foi a “véia Emerenciana”, conta.
 
Se quisesse, Zé Rasteiro teria deixado Franca para, certamente, brilhar no rádio em nível nacional. Tão logo o seu talento de comunicador começou a despontar na cidade, as principais emissoras do País tentaram contratá-lo. “Cinco anos após chegar em Franca, as rádios Record e Globo vieram me buscar, mas não quis sair. Custei para me ajeitar aqui em Franca e conseguir fazer uma forte amizade com este povo. Aqui, é uma terra de mulher bonita e de homem trabalhador”. 
 
Mesmo aposentado há 15 anos, apresenta diariamente na rádio Imperador um programa de música raiz das 17 às 19 horas. Se depender dele, não deixará o rádio tão cedo. “Só Deus quem sabe quando vou me afastar dos microfones. Eu não pretendo parar, não. Enquanto tiver forças e me deixarem falar, vou seguinte em frente. Não gosto de ficar parado. O rádio, para mim, é uma cachaça. Só quando Deus mandar, daí, a gente para”.
 
Homenagem
Em novembro, a Câmara Municipal, por unanimidade, concedeu a Zé Rasteiro o Título de Cidadão Francano. As homenagens não param por aí. Um livro contando os 53 anos de relação dele com o rádio está saindo do forno e deverá ser lançado em janeiro. “A gente nunca imaginava virar livro, mas como sou francano de coração e tenho uma relação forte com a cidade, esperava, sim, receber uma homenagem por mais simples que fosse. Felizmente, chegou a hora. O livro vai contar toda minha história desde quando comecei. Estou muito feliz e agradecido”.
 
Ah, e para quem não sabe o que é vapo, Zé Rasteiro explica. “É a mesma coisa que lepo”. Oba, vixi.

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