Com aproximadamente 150 anos, uma imagem de santa Ana, mãe de Nossa Senhora e avó de Jesus, tem percorrido um longo caminho pelas mãos de integrantes da família Andrade, natural de Delfinópolis (MG). A imagem, que se transformou em uma relíquia para a família, foi adquirida há um século e meio pela bisavó de Ana Maria de Andrade, 58, que há 25 anos é responsável por cuidar da santa.
Passando de geração para geração, a imagem, que já percorreu várias cidades, entre elas as mineiras Cássia e Delfinópolis, além de São Paulo, agora está em Franca. Sua primeira dona, também Ana, morreu com 86 anos, deixando a relíquia para o único filho, Ernesto Andrade, cuja mulher, coincidentemente, tinha o mesmo nome. Posteriormente, pela primeira e única vez, ela foi cuidada por alguém com o nome diferente do da santa, a senhora Maria Aparecida, filha dele e mãe da atual responsável por preservá-la.
A imagem de gesso nunca foi restaurada, por receio de que ela perdesse a sua originalidade. Preservada em um oratório de madeira e instalada em um lugar especial para evitar queda ou qualquer outro tipo de acidente, nos próximos meses ela deve passar finalmente por um trabalho de restauração. “As marcas da santa são sinais do tempo e de toda a sua trajetória. São elas que mostram que a imagem carrega um pouco da história de cada uma das suas donas”, disse Ana Maria.
Assim como sua mulher, o operador de utilidades aposentado Vanderlei Sorgato, 59, também demonstra um zelo pela imagem. “Ela fica em um lugar especial, dentro de um oratório para ser melhor conservada. Temos uma fé muito grande nela e no seu poder de intercessão. É um verdadeiro privilégio poder hospedar essa santa aqui em casa”, disse.
Ana, inclusive, é um nome tradicional na família há várias gerações. Agora, a única filha do casal que abriga a imagem sonha em ter uma filha e colocar o nome de Ana Clara, para que a tradição de preservar a santa continue se perpetuando - e entre as Anas.
Peregrinação
De acordo com os atuais responsáveis pela imagem, após a restauração, a imagem deve iniciar uma verdadeira peregrinação entre membros da família. “Acredito no poder da santa e em tudo de bom que ela já nos proporcionou, através da sua intercessão na nossa família. Assim, tivemos a ideia de deixá-la viajar pelas casas de nossos parentes por um tempo. Todos conhecem a história dessa imagem e tudo o que ela representa para nós, por isso será maravilhoso poder dividir essas bênçãos com eles”, disse Ana Maria.
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