Enquanto encarnados, somos formados por três elementos, perfeitamente integrados entre si: corpo físico (que os gregos denominaram soma), períspirito (que os indianos chamam de ka, e Paulo, de corpo fluídico) e espírito, que nos constitui a essência, o ser pensante.
O termo perispírito foi criado por Allan Kardec, codificador do Espiritismo, que o adotou por semelhança a perisperma, palavra composta que, em grego, peri sigifica “à volta” e sperma, “fruto/semente”.
Assim, no caso do ser encarnado, o períspirito se situa entre o corpo físico (parte exterior) e a essência espiritual, e tem a função de transmitir as decisões, emoções e sensações do espírito para o corpo e as sensações do corpo para o espírito.
Já, no mundo espiritual, ausente a vestimenta física, o períspirito é o envoltório do espírito, a roupa com que o espírito se apresenta, até que, evoluído, se depure o bastante, dispensando-o.
Dotado da faculdade da ideoplastia, ao espírito é permitido, sempre que necessário, representar-se pela aparência perispiritual que deseja.
O períspirito é também o arquivo que mantém os registros dos impactos “psíquico-morais” de nossos atos, sentimentos e emoções.
Daí que, na condição de modelo organizador da forma, quando ressurge em novo corpo físico, este lhe refletirá as marcas oriundas da carga psíquica gerada por força daquilo que preocupa o espírito como problema de natureza moral.
Resumindo: atos humanos moralmente reprováveis afetarão o perispírito, produzindo-lhe marcas que poderão corromper tanto o novo corpo de carne que habitará, como também a respectiva estrutura mental.
Com efeito, deformidades físicas ou mentais não resultam de “castigo” de Deus, como muitos acreditam, mas, herdeiros de nós mesmos, originam da maldade que, livre e conscientemente, tenhamos perpetrado contra os semelhantes. Disse Jesus: “a cada um, segundo as suas obras.”
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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