Por que desta vez é um golpe?


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Em que pesem os lances que antecederam a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como chantagem escancarada e negociatas a rodo, há motivos suficientes para o impedimento. Embasado na decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) que considerou as ‘pedaladas fiscais’ do ano passado ilegais, o pedido vinha sendo usado como peça de barganha por Cunha, que pretendia livrar a própria pele e, por consequência, a da presidente. Mas alguns deputados do PT não quiseram pagar esta conta por causa da pressão popular, o que bastou para a retaliação do peemedebista. Ontem, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), um dos mais próximos aliados do vice-presidente Michel Temer (PMDB) pediu demissão e deu início a um processo de afastamento do partido do núcleo do poder. Se Dilma cair, quem toma posse é justamente Temer.
 
O processo já foi iniciado e apenas o plenário do Congresso (Câmara e Senado, separadamente) pode derrubar Dilma. Não adiantam os seus discursos contra a medida, contra Cunha, contra a oposição e contra todos os que concordam com o impeachment. Estes últimos são a maioria da população brasileira que vê um projeto de poder se transformar num amontoado de mentiras e ações fora da lei de uma verdadeira quadrilha que se reuniu para rapinar cofres públicos. Uma minoria, formada por militantes petistas e aliados de outras legendas de esquerda, adotam o mesmo discurso monocórdio, comparando o processo a um golpe. Preferem fechar os olhos à roubalheira, ao verdadeiro estelionato eleitoral perpetrado pela então candidata no pleito do ano passado e à situação que a presidente está deixando o País, em plena recessão e rumo à depressão.
 
Desde o impeachment de Fernando Collor (hoje senador pelo PTB-AL), em 1992, o PT tenta derrubar os que o sucederam: pediu o impeachment de Itamar Franco, em 1994 e o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1999. Nestas duas ocasiões, tinha o ex-deputado José Dirceu (hoje preso por causa da roubalheira na Petrobras) como defensor, mesmo não havendo qualquer embasamento jurídico. Ao contrário do que ocorreu com Itamar e FHC, o pedido, legítimo, terá um trâmite normal que pode terminar na destituição da presidente, uma vez que as movimentações do seu maior aliado, o PMDB, são no sentido de pavimentar o caminho de Michel Temer rumo ao mais alto cargo do País. A situação é adversa e dificilmente Dilma Rousseff conseguirá se safar, já que a pressão no Congresso será grande e ela poderá ser abandonada pela maioria de seus aliados. Este é o caminho que se vislumbra agora.
 
 
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