Após a decisão do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de suspender a reorganização em toda a rede de ensino estadual, os alunos das escolas de Franca “Suely Machado da Silva” e “Orlik Luz” devem sair hoje, na hora do almoço, das unidades.
O pronunciamento do governador aconteceu ontem, em que ele explicou que o objetivo do adiamento é ampliar o debate com a comunidade escolar e tirar dúvidas. O secretário da Educação, Herman Voorwald, que havia anunciado o plano, deixou o cargo, após o recuo do governador. Ele entregou uma carta de demissão, que foi aceita por Alckmin.
Na escola “Suely Machado”, no Brasilândia, a liberação do prédio deve ocorrer hoje. A unidade foi ocupada no dia 18 de novembro e cerca de 35 alunos participam do protesto. Todos os alunos do ensino médio passariam para a “Ângelo Gosuen” e, aproximadamente, 300 estudantes seriam afetados.
“Recebemos a notícia sobre o recuo, mas não estamos comemorando nada por enquanto”, disse a estudante da “Suely Machado”, Vanessa Martins, 16.
Os alunos da “Orlik Luz” também têm o plano de deixar a escola hoje, após limpeza, organização do local e conversa com a comunidade, que tem ajudado levando alimentos e colchões.
“Os alunos entregarão os prédios por volta das 11 horas. Eles estão satisfeitos por mostrarem que as coisas podem mudar. Eles têm noção que a luta continua e ainda existe um caminho para percorrer”, afirmou a coordenadora do movimento Franca Ajuda a Educação, Marília Martins. Ela ressalta que podem haver mudanças sobre a liberação da escola, se houverem novos posicionamentos do governo.
A “Orlik Luz” foi ocupada na noite do dia 30 de novembro, por cerca de 20 alunos. Pais e funcionários da instituição também apoiavam os jovens. Nessa unidade, o ensino médio seria transferido para a escola “Maria Pia”, no Parque do Horto.
A distância entre a escola é uma das principais críticas de pais e alunos à mudança. “Falta iluminação no Horto e meus filhos teriam que pagar ônibus para chegar na ‘Maria Pia’”, reclamou a dona de casa Rosana Lúcia da Silva Pereira, 48, mãe de dois aluno da “Orlik Luz”, que fica no City Petrópolis.
A Diretoria de Ensino garante que a distância entre as duas escolas respeitam o limite de 1,5 km, porém, os alunos alegam que para as pessoas que moram no fundo do bairro ou nas proximidades, a distância ultrapassa o limite estabelecido.
Os estudantes continuarão matriculados nas escolas onde estão atualmente, até que haja um novo posicionamento do governo. Sobre as aulas perdidas, a Secretaria de Educação do Estado garantiu que os 200 dias letivos serão cumpridos, mesmo que no início de 2016. A reposição depende da desocupação e de um planejamento de cada escola. As aulas poderão ser repostas no sábado ou por meio de horas extras durante a semana.
Protestos
A ocupação das duas escolas se deu como forma de protesto contra a reorganização por ciclo de ensino, proposta pelo governo estadual. Em Franca, nove escolas passariam pelo processo e a “Professor Otávio Martins de Souza”, quase foi fechada.
Manifestações e ocupações ocorreram em todo Estado. Em Franca, aconteceram protestos na porta da Diretoria de Ensino e no terminal de ônibus, além da ocupação das duas escolas.
A Justiça determinou nesta semana a saída dos alunos da “Suely Machado” até segunda-feira. O juiz Aurélio Miguel Pena acatou o pedido de reintegração de posse do Estado.
Motivos da reorganização
O governo estadual alega que as escolas com ciclos únicos possuem melhor desempenho, com resultados positivos no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo).
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