A identificação e prisão dos integrantes da quadrilha foram resultado de um complexo e minucioso trabalho de inteligência realizado pelos promotores do Gaeco e pela Polícia Civil. Ao longo de cinco meses, todos os passos e movimentação da organização criminosa foram seguidos de perto pelos investigadores. Escutas telefônicas, rastreamento de e-mails, checagens de redes sociais foram usados para vigiar a rotina da estrutura empresarial que, segundo as autoridades, foi montada para gerar lucro ilícito. O MP disse que ter flagrado 57.555 conversas entre os integrantes.
O grampo teria captado comunicações que envolviam aquisição de embalagens, galões, produtos químicos usados na produção dos agrotóxicos adulterados, comentários sobre lucros, vendas, notas falsas e investimentos em móveis e veículos. O MP afirma ter flagrado também reunião entre os líderes em um escritório de advogado, onde uma pessoa recebeu a oferta de R$ 75 mil para assumir a posse de produtos apreendidos.
As investigações resultaram na abertura de quatro processos, que foram divididos por núcleos. Ao todo, são 60 volumes e cerca de 20 mil páginas. “Acredito que seja o maior processo da história de Franca. Nunca vi algo desta magnitude”, disse o advogado Adauto Casanova.
O juiz Wagner Carvalho de Lima, que era o responsável pelo processo, pediu transferência e deixou Franca em outubro. O juiz que dará a sentença ainda não foi definido. “Entendo que a mudança foi prejudicial para todos, inclusive, para a Justiça. É, humanamente, impossível, a alguém que chegue agora no processo, conhecê-lo como outra pessoa que participava desde o início”, concluiu o advogado.
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