Um ano depois, 5 acusados na Lavoura Limpa seguem presos


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Juiz Wagner Carvalho é visto durante trabalho no caso Lavoura Limpa. Ele deixou Franca
Juiz Wagner Carvalho é visto durante trabalho no caso Lavoura Limpa. Ele deixou Franca
Há um ano, no dia 5 de dezembro de 2014, uma mega ação, realizada em conjunto pela Polícia Civil de Franca e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), sacudiu Franca e culminou na prisão de uma quadrilha especializada em falsificar agrotóxicos. Os números envolvidos na operação Lavoura Limpa são inéditos na história da cidade: 154 policiais, quatro promotores, 50 mandados de busca e 31 ordens judiciais de prisão. Os agentes usaram escutas telefônicas, cabos de fibra ótica e até drones para monitorar a rotina da quadrilha.
 
O forte aparato resultou na prisão de 24 pessoas e na apreensão de mais de 60 veículos, entre caminhões, carreta, Camaros, caminhonetes de luxo, uma lancha, dois jet skis, milhares de produtos usados na falsificação e cinco armas de fogo. Segundo as autoridades responsáveis pela operação, as apreensões somaram cerca de R$ 20 milhões. O resultado fez com que a Lavoura Limpa ganhasse repercussão nacional.
 
Nos meses seguintes à operação, novas apreensões foram feitas. Mais gente foi presa. A ação penal é composta por 31 réus. O grupo era baseado em Franca, tinha ramificações em Ribeirão Preto, Igarapava e Araxá-MG, e distribuía os produtos para ao menos sete estados. “Dizimamos uma estrutura empresarial especializada na geração de lucro ilícito”, afirmou o delegado Leopoldo Novaes, responsável pela investigação. Segundo o policial, os integrantes se organizaram para a produção, falsificação, rotulagem, embalagem, distribuição e venda de agrotóxicos. 
 
Um ano depois, cinco acusados ainda seguem atrás das grades no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca, entre eles, Eliezer Reis da Silva, o “Russo”, apontado pela Polícia e Gaeco como líder da quadrilha. O processo caminha para o desfecho. O Ministério Público já apresentou as suas alegações finais. Falta apenas a defesa se manifestar. Em seguida, o caso será julgado, o que deverá acontecer em fevereiro. A acusação pediu à Justiça que todos os réus sejam condenados por integrarem organização criminosa, falsificação de documentos públicos e particulares, falsificação de agrotóxico e crime ambiental.
 
A defesa dos acusados não concorda com as imputações e afirma que houve excessos por parte da Polícia Civil e do Gaeco. “Desde o início, eu desafiei o Ministério Público a apresentar uma prova sequer, principalmente, em relação ao Russo, que ele tenha alguma participação nesta empreitada. São 51 mil horas de gravações e não tem uma conversa do Russo que o envolva com este tipo de crime”, afirmou o advogado Reginaldo Carvalho.
 
Ele disse que o homem apontado pelas autoridades como líder da quadrilha tem empresas constituídas e realiza trabalho honesto. “Muita gente não sabe, mas o prédio do novo Fórum foi pintado com tinta comprada da empresa do Russo. Juntamos mais de 1,5 mil notas fiscais comprovando que sua atividade é lícita”.
 
Os promotores do Gaeco rebateram as afirmações e disseram que o processo contém mais de 500 páginas com petições apontando provas, como ligações, e-mails, notas fiscais, depoimentos e laudos oficiais que comprovaram a falsificação dos produtos. Um dos acusados detalhou o esquema e participação dos envolvidos por meio da delação premiada. “Se não há provas, por que o Tribunal de Justiça, então, mantém o líder e mais quatro pessoas presas?”, questionou o promotor Paulo Radunz.
 

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