Elegia


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Nuvem cinza, tarde cinza...
Tudo é cinza
Na pele da vida sem cor.
Cinza espalhada nas águas,
Soprada no tempo,
No ar, na brisa, na bruma...
Aquellos ojos verdes
Pintam de saudade
O céu, a cidade,
A noite que chega...
De onde vem esse cantar
De vozes adormecidas
Ressonando notas
De lamentosas melodias
No oco da alma
À sombra do mundo,
No fio da vida
À beira do breu?
Aquellos ojos tristes
Pintam de melancolia
O que resta de verde
Nos olhos dos mares,
De encanto
No canto da fala,
De sonho
No sopro do verbo,
De verso
Na arte da pena.
Mirando o infinito
Pintam de alforria
O que resta de asas
No corpo da poesia.

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