Um treinador, de 47 anos, de uma das categorias de base do clube Internacional, da vila Santos Dumont, é investigado pela Polícia Civil. Isso porque alunos o acusam de assédio e abuso sexual. Na tarde de quinta-feira, dois garotos, de 13 anos, foram ouvidos por investigadores da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e afirmaram que o professor os teria beijado e acariciado, além de ter abusado de pelo menos outros dois. Há suspeita, porém, de que mais meninos estejam envolvidos.
Um dos casos teria acontecido no início deste ano, enquanto o time estava viajando para Guará. O Internacional, que disputa competições estaduais e regionais, foi representado pela categoria que o acusado treina. Na ocasião, ele estaria no quarto com os alunos e teria se aproximado de um deles que estava dormindo. “Meu filho disse que o treinador chegou e acariciou o orgão sexual dele, o que o assustou. Ele o questionou e, relutando, disfarçou”, disse.
Com medo, o menor teria se calado a respeito e só contou o acontecido após uma outra mãe procurar sua família para relatar que situação semelhante ocorrera com seu filho. “Meu menino dormiu na casa dele porque eu não podia levá-lo ao jogo no dia seguinte, já que morávamos em outra cidade. O professor me disse que outros meninos dormiriam lá. Na verdade, só o meu dormiu e ele teria tentado beijá-lo”, contou a mãe, que começou a desconfiar após pegar mensagens do suspeito no WhatsApp do filho.
Segundo os pais das duas vítimas, os casos aconteceram no final de novembro e só vieram à tona nesta semana porque a diretoria apenas deu férias para o treinador. Os pais queriam punição maior. A informação foi confirmada pelo presidente do clube, Edmar Gonçalves. “Ele permanecerá de férias até o caso ser apurado e solucionado. Os meninos estão sendo treinados por um professor substituto. Agora, depende da polícia. Ficamos muito surpresos”, disse o responsável pelo clube.
A delegada Graciela Ambrósio instaurou inquérito nesta semana para apurar o ocorrido. Disse ser precoce fazer qualquer afirmação. “Estamos fazendo um levantamento de outras possíveis vítimas que também serão ouvidas. Depois, será a vez da diretoria e do treinador”, explicou.
Outro lado
Procurado pela reportagem, o professor, que é serviços-gerais do clube, negou as acusações. “O que me acusa do beijo está sendo instigado pelo padrasto, que me agrediu há um tempo em uma reunião de pais. Não tenho nada a esconder porque não fiz nada nem com ele ou outro de meus alunos. Tenho a consciência limpa e vou virar esse jogo”, afirmou.
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