Nos meandros da nossa política


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Que o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu totalmente a capacidade de conduzir o Brasil de volta ao crescimento econômico ninguém duvida mais. Falta-lhe o principal, firmeza, para implementar todas as medidas necessárias para que o Brasil volte a produzir, empregar e crescer. A falta de credibilidade, que também inibe o investimento estrangeiro, torna o governo federal refém de seus próprios aliados, equilibrando-se numa corda bamba que tem o PT numa ponta e o PMDB na outra. O partido da presidente, que considera Dilma e o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) como responsáveis pelo prosseguimento das diversas operações que a Polícia Federal move contra corruptos e corruptores, resolveu entregar a cabeça da chefe da Nação em uma bandeja. Ontem, o PT sinalizou que vai orientar os seus deputados a votar no Conselho de Ética pela abertura do processo de cassação do mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por falta de decoro parlamentar.
 
Foi o que bastou para que Cunha contra-atacasse: no final da tarde autorizou a abertura do processo de impeachment contra a presidente. Ele vinha usando esta prerrogativa no sentido de conseguir o apoio petista para se manter no cargo. Ao se ver sem saída, com o mandato ameaçado, o presidente da Câmara resolveu escancarar a chantagem que já vinha fazendo desde o início do ano. A queda de braço entre governo e parlamentares, muitos deles aliados mas que votam pelo impedimento, deve se arrastar até o ano que vem, mantendo o Brasil em suspense quanto as medidas necessárias para resolver esta recessão — que alguns órgãos internacionais já consideram plena depressão. Até lá, ficam em segundo plano.
 
A tática de Eduardo Cunha, usando o processo de impeachment para permanecer no poder, acabou por arrastar o Brasil para a situação caótica que estamos vivendo. O desemprego, a inflação e o recuo da atividade econômica se fortalecem e podem explodir ainda mais nos próximos meses. A última cartada do Planalto é reduzir ainda mais a meta do governo, permitindo que as despesas ultrapassem a receita, num movimento que escancara a incapacidade da presidente e de seus auxiliares em buscar saídas que não mudar a lei para acomodar as contas. Enquanto nada se resolve, o brasileiro continua submetido aos meandros da política que não são capazes de dar uma resposta positiva neste momento de crise. Enquanto eles brigam, nós sofremos e poderemos sofrer ainda mais por causa de uma política econômica errática, ineficiente e incapaz de gastar menos do que se arrecada. É uma situação muito preocupante.
 
 
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