A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT) é o mais recente lance da verdadeira crise moral que coloca em xeque toda a classe política brasileira, incluindo aí os próprios partidos, além de uma série de espertalhões que viram nas fraudes contra os cofres públicos uma forma de encher os próprios bolsos e os de aliados próximos. É um verdadeiro mar de lama que soterra o Brasil, à espera de uma onda moral que lave não apenas esta sujeira, mas também a alma de todos os verdadeiros cidadãos brasileiros que trabalham, pagam impostos e veem seu dinheiro escoando pelo ralo da roubalheira, malandragem e corrupção. Quando se fala no mar de lama causado pelo rompimento de duas represas de contenção da mineradora Samarco, é bom lembrar que a desfaçatez de nossos agentes políticos tem muito a ver com o dano ambiental gigantesco. O mesmo se diga dos casos de microcefalia, outra tragédia do momento.
Ambos têm íntima ligação com a roubalheira no Brasil, uma vez que o dinheiro desviado de órgãos públicos impede que a máquina administrativa receba reforços em pontos estratégicos, principalmente nas áreas ambiental, de saúde e da educação. O rompimento poderia ter sido evitado caso houvesse fiscalização adequada. Agora, o governo anuncia que vai criar uma força tarefa para combater o vírus zika, cuja proliferação atinge praticamente todas as unidades da Federação. Se não se conseguiu até hoje erradicar o mosquito aedes aegypti, que também transmite a dengue, a ação tardia está fadada ao fracasso, ainda mais em tempos onde todos estão sendo obrigados a apertar os cintos e o governo já acumula um déficit calculado em uma centena de bilhões de reais.
O que se tem visto na mídia brasileira é uma total falta de responsabilidade daqueles que foram eleitos para comandar o País. O caso envolvendo o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se aferra ao poder e tenta obnubilar o processo do qual está sendo alvo, é outro fato estarrecedor. Cunha mente ao dizer que não mentiu, para se livrar da cassação, mas corre o risco de acompanhar Delcídio do Amaral na cadeia, assim como alguns de seus colegas, como os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL) — só para citar os mais conhecidos —, que começam a entrar na mira da PGR (Procuradoria Geral da República). O mar de lama só tende a aumentar, enquanto o País busca uma saída para a crise que nos coloca numa recessão sem precedentes. A solução pode residir nos tribunais, os únicos capazes de lavar toda esta sujeira da política e levar alívio à alma dos brasileiros.
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