Os alunos que ocupam a Escola Estadual “Suely Machado da Silva”, no Brasilândia, terão até a próxima segunda-feira para desocupar o prédio voluntariamente. O pedido de reintegração de posse feito pela Procuradoria do Estado foi acatado pelo juiz da Vara da Fazenda Pública, Aurélio Miguel Pena.
Ontem, um oficial de Justiça esteve na escola com um mandado de reintegração, que foi assinado por um dos alunos. De acordo com o documento, eles têm o prazo de cinco dias para sair da escola e 15 dias para contestar a decisão.
A ocupação é uma forma de protestar contra a reorganização do ensino por ciclos, proposta pelo governo estadual. Após a mudança, a “Suely Machado” ficará sem o ensino médio, e os alunos serão transferidos para a escola “Ângelo Gosuen”, que se localiza a 500 metros do colégio.
Para o juiz, a ocupação vai contra os interesses públicos e está prejudicando as atividades educacionais e o término do ano letivo. “É evidente a falta de legalidade. A possibilidade de prejuízo irreparável é concreta aos alunos”, afirmou o magistrado, na decisão. A ocupação teve início no dia 18 de novembro e, desde então, as aulas estão suspensas. A Polícia Militar foi notificada para auxiliar na desocupação, caso seja necessário.
Os alunos planejam ficar até o dia limite para desocupação e, então, sair pacificamente. “Vamos ficar até o fim e, quando der o prazo da reintegração, vamos sair sem briga e devolver a escola como estava quando chegamos”, disse o aluno do 3º colegial da “Suely”, Caio Ferreira, 17.
Segunda ocupação
A Escola Estadual “Orlik Luz” também foi ocupada. Os alunos decidiram ficar na unidade na noite de segunda-feira após o término das aulas. Então, dormiram e passaram a terça-feira no prédio. Não há expectativa para desocupação. A escola terá o ensino médio realocado na “Professora Maria Pia Silva Castro”, a 1,5 km de distância da “Orlik”.
Na manhã de ontem, a reportagem do Comércio esteve na escola, onde cerca de 20 alunos participavam da mobilização. “Vamos ficar até receber uma notícia concreta de que não vai fechar o ensino médio. Para quem mora no fundo do bairro ou em outros, como o Cambuí, vai ficar muito longe para estudar na ‘Maria Pia’”, disse um estudante de 16 anos, que não quis ser identificado.
Pais de alunos e funcionários da escola também estavam dentro da instituição e afirmaram apoiar o movimento.
Segundo a diretora regional de ensino, Maria Luiza Machado, também deve ser pedida a reintegração de posse da escola “Orlik Luz”, mas ainda não há prazos ou definições sobre o procedimento.
colaborou Priscilla Sales
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