O médico Lavoisier Tavares de Andrade, acusado pelo Ministério Público de liderar um esquema de falsificação de plantões no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, continua trabalhando normalmente. O Comércio da Franca teve acesso à escala dos médicos da unidade relativa ao mês de novembro. Nela, o nome de Lavoisier aparece em 34 plantões. O médico só não trabalhou nos quatro sábados do mês. Lavoisier é o segundo médico com maior carga horária no mês.
Como a Prefeitura paga por cada plantão de 12 horas R$ 1.759, em novembro, o médico, que é réu em uma ação judicial proposta pelo Ministério Público, deve receber cerca de R$ 60 mil.
Segundo o promotor de Justiça, Paulo César Corrêa Borges, Lavoisier teria sido flagrado adulterando fichas de atendimento por, pelo menos, três pessoas: o médico Renato Del Bianco, diretor-técnico do PS; a médica Cláudia Poubel (ex-diretora-clínica) e Ricardo Veríssimo (ex-diretor administrativo).
Segundo as acusações, Lavoisier teria maquiado o número de médicos atendendo no Pronto-socorro usando carimbos com os nomes de outros médicos que sequer estavam dentro do PS. A fraude ficou conhecida como “plantões fantasmas”. “O estratagema era o seguinte: um dos médicos permanecia no plantão. Quando um paciente era atendido, ele preenchia cada papelada se utilizando de carimbos de médicos diversos. Assim, o paciente tinha sua ficha de atendimento supostamente preenchida por um médico, seu pedido de exame por outro e sua alta por um terceiro, sendo que, de fato, apenas um médico estava por trás de tudo, falsificando os documentos e mascarando a ausência de outros profissionais”, escreveu o promotor na ação.
Como não havia fiscalização sobre a presença dos médicos e o pagamento era feito com base no número de profissionais, a Prefeitura acabava pagando plantões que, na verdade, não existiam. Para o promotor, Lavoisier seria o mentor do esquema.
Apesar da gravidade das acusações e dos alertas feitos à Rosane Moscardini, secretária municipal de Saúde, Lavoisier Tavares não foi punido. Mesmo depois de se tornar réu da ação do Ministério Público, Lavoisier continua trabalhando normalmente. “Ele mora aqui no Pronto-socorro de domingo a segunda. Recentemente até comprou uma geladeira para instalar no quarto de descanso”, contou um funcionário do PS que não quis se identificar com medo de represálias.
A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada para comentar o caso, mas até o fechamento desta edição não havia retornado as ligações nem respondido ao email encaminhado.
O instituto
O médico Lavoisier de Andrade foi um dos primeiros profissionais a serem contratados pelo ICV (Instituto Ciências da Vida) para atuar em Franca.
O ICV foi contratado em caráter emergencial pela Prefeitura de Franca em junho do ano passado para assumir os serviços médicos dos dois prontos-socorros. Depois, o contratado foi renovado por mais quatro vezes. Ao todo, a Prefeitura repassou ao ICV mais de R$ 22 milhões.
O instituto ganhou notoriedade depois que a polícia descobriu falsos médicos agindo dentro da empresa. Em Franca, foram pelo menos nove falsários que atenderam mais de 8 mil pessoas no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e no Infantil. O ICV é alvo de investigação por parte da polícia, do Ministério Público e da Câmara Municipal.
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