Há cerca de três semanas, o técnico em eletrodomésticos desempregado Adriano Alves da Silva, de 32 anos, morador do Parque do Horto, começou uma campanha para corrigir um erro da Secretaria Municipal de Saúde. Ele é obeso mórbido, tem 250 quilos e deveria estar na fila para a realização de uma cirurgia de estômago que o ajudaria a emagrecer. Mas seu nome não aparece nos registros.
Segundo Adriano, em 2011, ele estava se sentindo mal quando procurou atendimento médico no NGA-16. Na consulta realizada dia 29 de novembro, o médico disse, segundo ele, que boa parte dos seus problemas de saúde estava relacionada com sua obesidade. “Ele falou que o melhor para mim era a cirurgia bariátrica. Que a gordura já estava afetando severamente minha saúde e que iria me encaminhar para o Hospital das Clínicas de Ribeirão”.
Adriano disse que o médico pediu que ele voltasse para a UBS (Unidade Básica de Saúde) do Parque do Horto e pedisse um laudo ao clínico-geral sobre sua condição de saúde. O laudo seria anexado ao encaminhamento e levado para Ribeirão.
Passadas as festas de fim de ano, Adriano disse que providenciou o laudo e voltou ao NGA. “Fiz como ele havia me pedido. Entreguei tudo certinho. No NGA, me disseram que deveria esperar e que seria chamado”.
Adriano aguardou por quatro anos. Até que no mês passado decidiu ver como estava seu encaminhamento. “Minhas dores aumentaram. Ando me sentindo muito mal. Perdi meu emprego e queria muito ter uma vida normal. Aí fui na Secretaria da Saúde saber se ainda precisaria esperar mais. Para minha surpresa, meu nome não estava na lista de cirurgia. Eles (a Secretaria) não tinham registro nenhum”.
Segundo ele, a atendente disse que teria que começar todo o procedimento do zero e que o desempregado devia estar enganado. “Eu fiquei revoltado porque estou há este tempo todo esperando sem que nada andasse”.
Inconformado, ele decidiu procurar um advogado. “Ele me orientou a ir buscar meus prontuários no NGA. Lá, encontraram toda a documentação parada. Tudo do jeitinho que falei. Mas estava no arquivo enquanto eu esperava a cirurgia”.
Adriano disse que voltou à Secretaria. “Eles disseram que iam ver o que podiam fazer. Não me pediram desculpas e nem me deram um prazo. Nada.”
Para não ser prejudicado, decidiu tornar seu caso público. “Gravei uns vídeo e coloquei no meu Facebook pedindo o apoio das pessoas para que eu seja operado o mais rápido possível.” Ele espera que com a repercussão do caso não precise começar todo o procedimento novamente. “Se tiver que começar do zero, vou demorar mais quatro anos. Não sei se aguento viver assim tanto tempo”.
Dificuldades
Adriano diz que, com seu peso, mal consegue andar. Teve que abandonar o serviço e vive os dias praticamente deitado. “Só saio para levar e buscar minha mulher no trabalho. Ainda assim sinto muitas dores”. Por conta sobrepeso, ele sente dores nas pernas e nas costas. Tem feridas pelo corpo e sofre de hipertensão. Também não consegue levar uma vida normal. “O mundo não foi feito para pessoas do meu tamanho. As pessoas se assustam comigo. Não vou a restaurantes porque não há cadeiras do meu tamanho. Também não consigo ir ao cinema ou mesmo dar um passeio. Sou um prisioneiro do meu corpo”, disse.
Ele agora deve ingressar na Justiça pedindo indenização e cobrando a realização de sua cirurgia. Segundo o desempregado, uma funcionária da Secretaria Municipal de Saúde ligou para ele depois das postagens que fez nas redes sociais, mas não houve novidades sobre seu caso. “Uma pessoa me ligou para saber da minha situação e disse que me retornaria para explicar o que é para ser feito, mas ainda estou esperando esse retorno”.
A Secretaria de Saúde foi procurada pela reportagem para comentar o assunto, mas não respondeu ao email encaminhado pelo Comércio.
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