Perspectiva bem sombria


| Tempo de leitura: 2 min
O brasileiro tem convivido, desde o início deste ano, com uma recessão que tem se aprofundado com o passar dos meses, principalmente pela falta de uma resposta contundente do governo federal aos problemas econômicos que vivemos. A classe trabalhadora — e o empresariado da mesma forma — está sofrendo com o desemprego, altos índices inflacionários e o aumento dos preços administrados pelo governo, como energia elétrica e combustíveis. A situação hoje está insustentável, ainda mais por causa da estagnação nos mais diversos setores da economia, passando pela paralisação da produção industrial e o encolhimento do mercado de trabalho na construção civil, no varejo e na área de serviços. Hoje, o trabalhador tem aceitado uma redução na jornada e nos salários para manter o emprego. Os cortes no orçamento familiar são evidentes, conforme demonstram os índices mais recentes.
 
O que preocupa, agora, é que a situação poderá piorar ainda mais. Informações procedentes de Brasília dão conta de que a presidente Dilma Rousseff (PT) vai assinar um decreto para bloquear recursos orçamentários e evitar o descumprimento da LRF (Lei da Responsabilidade Fiscal) e recomendação do TCU (Tribunal de Contas da União). A decisão foi tomada porque o governo não conseguiu aprovar a alteração da meta fiscal de 2015 no Congresso esta semana. A sessão que apreciaria o projeto foi adiada depois da prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), na quarta-feira. Segundo o ministro Joaquim Levy (Fazenda), o governo terá que cortar recursos disponíveis até o fim do ano para atender à determinação do tribunal. O anúncio sobre os cortes será feito na segunda-feira, 30.
 
Acontece que o governo espera conseguir aprovar a redução da meta fiscal (como fez no ano passado) para não cair de novo na mira do TCU, que já considerou irregulares as ‘pedaladas fiscais’ de 2014. O problema é que se não conseguir aprovar a volta do imposto do cheque, o governo terá que cortar investimentos programados para os últimos meses do ano. Mas o montante não será o bastante caso não haja nova flexibilização da meta fiscal. Pode-se esperar para este ano e o próximo um recrudescimento da recessão, já que se cogita cortar verbas destinadas à saúde e à educação, além da paralisação de novos investimentos em infraestrutura. Se a situação está difícil hoje, pode piorar ainda mais no futuro caso os agentes políticos (leia-se Executivo e Legislativo) não participem deste esforço, cortando parte de suas despesas. O Brasil acompanha temeroso os próximos passos da equipe econômica, que está prestes a anunciar um aperto de cinto ainda maior para todos nós.
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários