Calçados Jota Pe demite 300 funcionários da linha de produção


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Funcionários na porta da tradicional indústria de sapatos masculinos francana Jota Pe: crise econômica preocupa os trabalhadores
Funcionários na porta da tradicional indústria de sapatos masculinos francana Jota Pe: crise econômica preocupa os trabalhadores
Uma das mais tradicionais fábricas de calçados da cidade, a Jota Pe, demitiu todos os 300 funcionários de sua linha de produção. Eles só devem continuar trabalhando até 18 de dezembro. Segundo o dono da fábrica, Antônio Alves de Castro, a medida é uma prática comum. “Sempre que chega o fim do ano e não temos pedidos para justificar a produção, demitimos. É normal para quem é dono de fábrica. Mas não estamos fechando as portas”, garantiu.
 
Castro disse que os representantes da empresa estão viajando atrás de pedidos para o início do ano. “Se eles conseguirem boas vendas, podemos até rever as demissões. Estamos torcendo, mas não há nada garantido.”
 
O empresário disse que a Couromoda, que acontece no início de janeiro, também pode trazer bons frutos. “Nós temos a esperança de que em fevereiro estejamos contratando de novo. Já passamos por isso antes e estamos aqui.”
 
A Jota Pe tem 55 anos de mercado. Sua produção é composta basicamente por calçados masculinos feitos à mão. Por dia, a produção é de 3 mil pares. 
 
Na manhã de ontem, os funcionários demitidos estavam tristes. “Estou na empresa há quase três anos e, antes, também já tinha trabalhado aqui oito anos, é muito triste eles terem de nos demitir”, disse o cortador manual João Batista da Costa.
 
Ele disse que seus salários têm sido pagos em dia. “Não temos nada atrasado. Eles pagaram tudo certo, mas agora nos demitiram e ainda não sabemos como será o ano que vem.”
 
Outras duas funcionárias que não quiseram se identificar também se disseram preocupadas. “No fim do ano, é assim mesmo: eles demitem. Mas estou com medo de não conseguir outro emprego, porque a crise está muito difícil. Tem muita gente desempregada.”
 
O advogado da empresa, Antônio de Pádua Faria, afirmou que essa demissão de final de ano sempre acontece, porém, o volume depende do mercado. “As demissões são compatíveis com o número de funcionários e com a produção”, disse.
 
Dados
Na quinta-feira, o Sindicato dos Sapateiros divulgou um balanço prévio das demissões neste final de ano. Segundo a entidade, estão sendo feitas 60 homologações de demissões todos os dias.
 
Os desligamentos feitos pela Jota Pe ainda não foram contabilizados, porque os funcionários ainda estão cumprindo aviso prévio.
 
Mais demissões
O Comércio recebeu na tarde de ontem uma denúncia sobre a demissão de metade dos funcionários da fábrica de calçados Salustiano. Segundo uma funcionária, a empresa tinha cerca de 200 empregados. Procurada pela reportagem, a empresa comunicou que as demissões fazem parte da rotina de fim de ano e que a Salustiano não irá fechar.
 
As informações foram fornecidas pela secretária do proprietário Cassildo Alves Taveira. A empresa não quis fornecer o número exato de demissões.
 
O Sindicato dos Sapateiros de Franca está acompanhando as demissões. Segundo o advogado da entidade, Leonardo Marques Correa, anteontem foram feitas 12 rescisões da Salustiano no sindicato.
 
colaborou Lydia Rodrigues

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