O processo de seleção é criterioso e da peneira só passa o que for de qualidade. Prova disso é que, embora tenha havido um aumento de 40% (em relação ao ano anterior) no número de inscritos ao Prêmio São Paulo de Literatura, os jurados preencheram apenas 21 das 30 vagas disponíveis para finalistas. Uma delas foi concedida à escritora e psicóloga francana Vanessa Maranha. Com seu primeiro romance, contagem regressiva (assim mesmo, em minúsculas), ela aparece como concorrente na categoria ‘autor estreante com mais de 40 anos’ ao lado de nomes como o da jornalista Miriam Leitão.
“Já considero esse finalismo uma honra e tanto. Já é prêmio. Se chegar à reta final, é lucro redobrado”, disse Vanessa.
O resultado que definirá os vencedores será anunciado na próxima segunda-feira, 30, às 20 horas, na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Antes disso, entre hoje e amanhã, o local receberá o público para bate-papo com alguns dos finalistas, do qual Vanessa participará, no domingo.
“Literalmente a sensação é de ‘contagem regressiva’, alguma ansiedade, muita gratificação, na constatação de que o meu primeiro romance alçou um vôo inesperado, mas cumpriu a sua função de alcançar leitores”, disse. “A efervescência interna e externa tem sido tamanha, que não consegui produzir sequer uma linha literária nesse último mês. Mas isso é circunstancial, sei.”
Ainda segundo Vanessa, sua colocação como finalista de um dos prêmios literários mais relevantes do Brasil tem reverberado em sua vida profissional. Neste período, dois editores a procuraram e, em menos de uma semana, sua página no facebook recebeu 200 solicitações de amizade. O que a faz pensar em novos planos para 2016. “Quero definir editores e publicar livros já finalizados, terminar a escrita de um romance, circular, literariamente falando, mas continuar, na medida do possível com o meu trabalho de estudos clínicos também. Conciliar ambas as coisas.”
Sobre o livro
Lançado em 25 de julho de 2014, contagem regressiva foi escrito por Vanessa no decorrer de três anos. A história é dividida em três partes e começa pela velhice amargurada de João, um homem que se auto-interna voluntariamente num hospital psiquiátrico porque prefere a agonia dos loucos à placidez de um asilo.
“Chegando aos 40 anos, comecei a perceber, vívidos no corpo, os primeiros sinais da finitude que julgávamos tão abstrata e improvável, quando jovens. Isso me moveu a querer entender, via ficção, o que é a velhice. Era um projeto experimentar uma voz masculina também”, conta Vanessa sobre o que a motivou a escrever este romance. “Ao final da velhice João encontrará o antídoto contra a morte, mas eu não vou dar spoiler aqui, dizendo qual é!”, brinca.
Antes de levar a escritora à final do Prêmio São Paulo de Literatura, contagem regressiva também foi finalista no Prêmio Sesc de Literatura 2014, sendo selecionado dentre 430 inscritos para a peneira final dos 30 melhores. A obra é editada pelo Selo Off Flip, de Paraty (RJ).
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