Escrever


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Te olho daqui de cima do sofá, unhas, até que enfim, vermelhas. Seus olhões verdes me olham inquisidores “meu amor é todo teu, sempre.”

Gostaria de voltar a escrever como quem fotografa o primeiro passeio de bicicleta sem rodinhas de seu filho, experimentando a felicidade do belo, livre e puro da infância.

Captar AQUILO novamente, no tatear do escuro da imaginação até acontecer o milagre de escolher bem as palavras como quem cata feijão ou faz um rosário de miçangas, escrever é assim, mas no fim, faz luz; de toda cor.

Para colorir nessa trama de tecido tão alvejado há de se proteger bem os olhos. Os meus marejam de quando em quando, navegam, me revelam despida entre as frases. Revelam o que sou, o que não quero ser e a esperança... Nem sempre é bom. Mas desabrocho um perfume com isso. Me enfeita para te amar. Me prepara para ser capaz de sentir na tua voz grave, veludo, inundando meus ouvidos sem estranheza, um som curto e denso; metade de um sopro quente contendo bilhões de palavras-valises que se resumem na aglutinação de nós e se traduzem com a justaposição de Alices e Sofia....

Em exceção à regra, mesmo sem câmera fotográfica, não há perda nenhuma.
 

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