Corretivo


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Parada na loja , de repente ela se lembra de quando tinha 25 anos e a vida toda pela frente. Caminhava segura, vestidos colados, ombros à mostra, cabelos encaracolados caindo de lado. Sentia-se bela, segura e sexy!Olhos delineados por aquele corretivo. Olhos luminosos, brilho irretocável.

Salto alto, perfume no ar. Sonhos na mesa, metas traçadas, saltos no escuro.

Corretivo! Cheiro antigo. Volta no tempo. Tempo dos olhares que a acompanhavam aonde ia. Tempo de entradas triunfais nos bares da moda. Do poder nas mãos. Do poder dos olhos.
Riso, riso solto com a amiga querida. Dos segredos inconfessáveis, das baladas que eram embalos noturnos, das minissaias permitidas. Noites. De Dry Martinis, de ousadia. Vento morno, noites de sexta-feira. Volta para casa, leves tonturas, música no carro.

Na garupa da motocicleta! Jaqueta de couro, frio na barriga. Riso, pulseiras que chacoalhavam.

Casquinha de siri. Um drink novo! Um sorriso! Vento na porta do bar. A porta se abre! A música começa. Há uma passarela. Passarela da autoafirmação.

Ah corretivo! No balcão da loja, enquanto a atendente solícita lhe pede que experimente o produto, ela sorri intimamente e sente que por alguns segundos a sua juventude passou como um filme na sua frente.

E fechando a caixa do corretivo, pediu mentalmente: Volta, volta juventude! Volta ,tontura dos meus 20 anos! Será que volta?
Caminhou decididamente pela loja em direção ao caixa.
 

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