A Rússia ameaçou adotar uma retaliação econômica contra a Turquia nesta quinta-feira (26) e afirmou ainda esperar uma explicação razoável pela derrubada de um de seus aviões. Em resposta, a Turquia caracterizou as ameaças de "emotivas e impróprias".
Em uma crescente guerra de palavras, o presidente turco, Tayyip Erdogan, respondeu às acusações russas de que a Turquia tem comprado petróleo e gás do Estado Islâmico na Síria acusando o ditador sírio, Bashar al-Assad, e seus apoiadores -o que inclui Moscou- de serem as reais fontes de poder financeiro e militar da facção terrorista.
A derrubada do caça pela Força Aérea da Turquia na terça-feira (24) foi um dos incidentes mais graves entre um membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a Rússia, complicando ainda mais os esforços internacionais para combater os militantes do EI.
Líderes mundiais fizeram um apelo para que os dois lados evitem a escalada.
O premiê russo, Dmitri Medvedev, ordenou nesta quinta que o governo elabore medidas que incluiriam o congelamento de alguns projetos de investimento conjuntos e a restrição das importações de alimentos da Turquia.
O ministro da Economia, Alexei Ulyukayev, disse que Moscou poderiam impor limites ao voos em direção ou vindos da Turquia, suspender os preparativos para uma zona franca conjunta e restringir importantes projetos como o duto de gás TurkStream e uma usina nuclear de US$ 20 bilhões que a Rússia está construindo na Turquia.
"Somos parceiros estratégicos... Projetos conjuntos poderiam ser paralisados, laços poderiam ser cortados? Tais abordagens são apropriadas para os políticos?", disse Erdogan durante um discurso em Ancara.
"Primeiramente os políticos e nossos Exércitos deveriam se sentar e conversar sobre os erros que foram cometidos e tentar focar em como resolvê-los em ambos os lados. Mas, em vez disso, fazemos declarações emocionais como estas, e isso não estaria certo."
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia ainda espera uma resposta sensata de Ancara sobre por que derrubou o caça.
Moscou insiste que nunca saiu do espaço aéreo sírio, mas Ancara afirma que houve um cruzamento do fronteira apesar de alertas repetidos.
Erdogan afirmou que o jato russo foi abatido como uma "reação automática" à violação do espaço aéreo turco, de acordo com ordens dadas ao Exército.
Essas instruções são uma questão separada a desacordos com a Rússia sobre a política para a Síria, disse, acrescentando que Ancara continuará a apoiar rebeldes moderados na Síria e combatentes turcomenos que combatem as forças de Assad.
Ele afirmou à CNN que a Rússia, e não a Turquia, deveria ser o país a pedir desculpas pelo incidente.
TURISMO, ALIMENTOS E TRIGO
A ação da Turquia enfureceu a Rússia, mas a resposta de Moscou tem sido cautelosamente pensada. Há poucos sinais de que o país queira uma escalada militar ou queira prejudicar seu principal objetivo na região: conseguir apoio internacional para sua visão de como o conflito na Síria deveria ser resolvido.
Mas o país claramente quer punir a Turquia economicamente.
O chefe da agência de turismo da Rússia, Rostourism, disse que a cooperação com a Turquia "obviamente" seria suspensa. Ao menos dois grandes operadores de viagens da Rússia já anunciaram que vão parar de vender pacotes para a Turquia depois que autoridades russas aconselharam os turistas a viajar aos resorts do país.
Os russos só perdem para os alemães em número de pessoas visitando a Turquia, levando estimados US$ 4 bilhões por ano em renda de turismo, que a Turquia precisa contra seu déficit.
Medvedev também afirmou que a Rússia pode impor restrições às importações de alimentos dentro de poucos dias, tendo já aumentado checagens de produtos de agricultura turcos, sua primeira medida pública para coibir o comércio.
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