Os últimos desdobramentos das investigações da Lava Jato têm conseguido reduzir a desconfiança dos brasileiros quanto ao desfecho do processo. A prisão do empresário José Carlos Bumlai, anteontem, do senador Delcídio Amaral (PT) e do banqueiro André Esteves, ontem, mostram que nem tudo está perdido. Depois de algumas decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) ‘fatiando’ o processo e impedindo que o juiz Sérgio Moro investigasse e indiciasse agentes políticos com foro privilegiado, a prisão de Delcídio, líder do governo no Senado, garantida pelo Supremo, demonstra, além do fim da impunidade aos que detêm mandato, que a apuração das fraudes que saquearam o caixa da Petrobras chegará a todos os que se beneficiaram do esquema. O senador Fernando Collor (PTB) já estaria na mira para ocupar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR) e esclarecer alguns pontos levantados pela investigação.
Além de Delcídio, André Esteves, dono do banco BGT Pactual, também foi encarcerado. Ele já havia conseguido se livrar da prisão em ocasiões anteriores e, agora, nem seus advogados conseguiram livrá-lo com recursos junto aos tribunais superiores. A esperança de todos nós é que as investigações prossigam como agora, sem interferências que prejudiquem o seu desfecho. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vê os trabalhos chegarem muito perto de sua família, tem reclamado aos mais próximos do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e da presidente Dilma Rousseff (PT) que, segundo ele, deixaram o processo chegar até o estágio atual, “prejudicando o projeto de poder” do partido que criou. Melhor para o Brasil, que vê uma mudança de postura da Justiça: hoje, não há mais “intocáveis”, principalmente no que diz respeito à corrupção.
A investigação chega agora bem próxima do núcleo do poder que em pouco mais de doze anos transformou o País em uma rede de fraudes, negociatas e roubos que colocam na mira os chamados líderes no período. Nem Lula, nem Dilma e nem o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, estão a salvo de um indiciamento. Hoje não convence mais aquela justificativa de que ‘a sorte’ recheou as contas bancárias de agentes políticos e seus protegidos. A prisão de Delcídio Amaral (a primeira de um senador da República em pleno mandato após a redemocratização do País) pode abrir uma série, uma vez que vários parlamentares estão na mira da Lava Jato e podem seguir o líder do governo para a carceragem da PF. É o que todo o País anseia, pois quer ver todos os corruptos julgados, condenados e presos. E, finalmente, limados da vida pública.
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