Enfim, valeu o interesse público


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Não é de hoje que a população de Franca se sente descrente da intenção da maioria dos vereadores em defender o interesse público. Várias foram as ocasiões em que a maioria dos legisladores, afinados com o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), protagonizaram ocorrências que mostravam a sua distância dos próprios eleitores. Poucas vezes o interesse público prevaleceu nas votações. À exceção de apenas três parlamentares — Daniel Radaelli (PMDB), Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PSDB) —, os quais faziam corretamente o seu trabalho, principalmente ao fiscalizar os atos do Executivo, os demais, que formam a ampla base de Alexandre Ferreira, se mostravam refratários ao que o francano queria. Assim, atos considerados ilegais ou irregulares — como o acordo fechado a portas fechadas com a Empresa São José, a “indústria das horas extras” que se criou na saúde pública de Franca ou então a concessão de licenças ambientais, estas duas últimas motivo de processo na Justiça — passaram em branco.
 
Pois ontem, a maioria da Câmara desfez mais uma patacoada patrocinada pelo notório Xandão, derrubando veto ao projeto que determinava maior segurança nas agências bancárias do município. Surpreendentemente, mesmo depois de uma reunião no Paço Municipal, na qual o chefe do Executivo francano exigiu apoio, por 11 votos a 3, os parlamentares foram contra o prefeito. O autor do projeto, Pastor Otávio (PTB), conseguiu articular com a maioria de seus pares e derrubar um veto ainda não explicado pelo prefeito, que atendeu ao pedido dos bancos para não sancionar a lei. Ao contrário da sua justificativa, ela foi frontalmente contra o interesse público, uma vez que nenhum tostão para a instalação dos equipamentos exigidos pela lei sairia do bolso do contribuinte.
 
Foi uma verdadeira demonstração de que nem a base aliada toca na mesma banda de Alexandre Ferreira. As seguidas demonstrações de incapacidade administrativa e da atração pela ilegalidade têm assustado os vereadores, a maioria deles já de olho nas eleições do ano que vem, pois pretende tentar uma reeleição que será bastante difícil, principalmente para os que dizem amém a todos os atos do prefeito. Caso este tipo de rebelião tivesse ocorrido lá atrás, quando começaram a surgir as denúncias de irregularidades, dificilmente Franca estaria enfrentando a situação atual, com uma administração que ignora os anseios da população e que inclusive patrocinou a ação de uma quadrilha de falsos médicos nos Prontos-socorros da cidade. Franca merecia um destino melhor. Que a atitude de ontem perdure, para o bem de toda uma cidade que já está cansada das atitudes autocráticas de Xandão.
 
 
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