Com relatos de espera de até quase sete meses, pacientes que aguardam por tomografia na rede pública de Saúde de Franca têm tido diagnósticos, tratamentos e até retorno ao trabalho comprometidos pela demora na realização do exame. Em comum, os depoimentos concedidos ao Comércio afirmam que, após serem entregues os pedidos de exame na Secretaria Municipal de Saúde, os solicitantes saem de lá apenas com a promessa de que receberão uma ligação quando houver um agendamento. Nem mesmo uma previsão de data é fornecida.
“Não tenho um diagnóstico fechado, porque o médico me pediu uma tomografia do crânio que ainda não fiz. Sinto tonteira, dores de cabeça e ferroadas que parecem estar lá dentro. É uma barulheira e, às vezes, parece que tem uma pressão na cabeça. Aí, me dá enjoo e mal-estar”, disse a aposentada Sebastiana de Fátima Gomes.
De acordo com ela, seu primeiro pedido de tomografia, da face, demorou seis meses para ser atendido. Como nele nada foi revelado, o médico solicitou uma segunda tomografia para tentar um diagnóstico. “Agora, precisamos de uma do crânio, para eu poder me tratar.”
Assim como Sebastiana, a dona de casa Ângela Maria Balieira de Souza tem enfrentado as dores de uma doença ainda não identificada por falta de diagnóstico. “Estou com duas tomografias para serem marcadas: de seio e de face. Desde o dia 8 de maio espero para ter meus exames agendados e, até hoje, ninguém me deu um retorno. Preciso dos exames para saber o que eu tenho. Sinto muita dor de cabeça, praticamente todos os dias, e vivo a poder de analgésicos.”
A falta de diagnóstico não é o único problema relacionado à demora na realização das tomografias. Há pacientes que dependem do resultado dela para voltarem ao trabalho, como no caso do vigilante José de Souza Filho. “Fiz o pedido há mais de seis meses e a tomografia não sai! Sofri um acidente de trabalho e tive de fazer duas cirurgias na perna. Enquanto o médico não olhar a tomografia, ele não pode me liberar para voltar.”
“Minha irmã tem calcificação no cérebro e a médica que faz o acompanhamento pediu uma tomografia para ver se a doença evoluiu ou estabilizou. Faz três meses que estamos esperando para agendar e, até agora, nada. Dia 10, ela tem retorno e nós não temos o exame. Não recebemos nenhuma ligação informando sobre o agendamento”, relatou a dona de casa Sueli Aparecida Ribeiro.
Sem resposta
O Comércio entrou em contato com a assessoria da Prefeitura para saber qual tem sido o tempo médio de espera para conseguir realizar o exame; quantos pacientes aguardam na fila; o que tem provocado a demora e, principalmente, o que está sendo feito para minimizá-la. Mas, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi emitida.
Sem se identificar, a reportagem também entrou em contato com o setor responsável para saber como está o andamento da fila e, segundo a atendente, o equipamento havia quebrado, tendo retomado suas atividades recentemente. Ainda de acordo com ela, o número de atendimentos tem sido reduzido para não sobrecarregar a máquina.
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