Um antigo ditado popular diz que é preciso reforçar a cerca para evitar consertar o arrombamento. Embora seja mais sensato, no Brasil as coisas continuam assim: só depois da tragédia é que as autoridades governamentais se mexem para tentar remediar. Ao longo de nossa história recente, uma série de fatos tem demonstrado que não há uma grande preocupação com a prevenção. Foi assim com as chuvas que já causaram tragédias em vários pontos do País, como na região serrana do Rio de Janeiro, no Morro do Bumba em Niterói ou nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Outro exemplo ocorre aqui, no Estado de São Paulo, com os reservatórios de água, que foram secando ao longo dos anos e só se buscou uma solução quando já era tarde. Os exemplos abundam e se multiplicam, como ocorre agora com a epidemia de microcefalia que atinge os Estados do Nordeste brasileiro.
A questão deveria ter sido evitada lá atrás, quando uma doença que já estava erradicada em solo brasileiro voltou, passou a matar e não encontrou ainda um combate efetivo, embora a Ciência tenha feito todos os esforços para encontrar uma vacina ou um veneno eficaz para combater a dengue. Somente depois da explosão dos casos é que as autoridades passaram a agir, sem qualquer resultado prático. Quando se cita a proliferação do mosquito aedes aegypti, novos surtos voltam a assustar. Agora, estudos iniciais mostram que o vírus zika, também transmitido pelo mosquito que espalha a dengue, possa ter sido o causador da proliferação da microcefalia nos Estados nordestinos, trazendo uma maior insegurança com a possibilidade de que se espalhe por outras regiões do País.
Como sempre, o governo resolveu só agora criar uma força-tarefa para atuar nas regiões atingidas. Foi necessário que a ocorrência tomasse uma dimensão inesperada e a imprensa passasse a se interessar pela situação para que autoridades médicas e sanitárias ligadas ao poder público se mexessem no sentido de estudar o surto, que vinha sendo tratado como um fenômeno localizado. A questão é grave e foi preciso que uma médica tomasse uma decisão de enviar material coletado de grávidas para o Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, para ligar a infecção ao zika vírus. É necessário criar uma rede de acompanhamento nacional para detectar movimentos fora do comum, tanto na área médica quanto em outros setores, inclusive ambiental. Só assim poderemos evitar que fatos como estes (incluindo aí o rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Minas Gerais) se repitam e tragam prejuízos e sofrimento a milhares de brasileiros que pagam os seus impostos e esperam contar com uma maior proteção dos Três Poderes.
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