Procurando pelo em ovo


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É sempre assim: o chefe do Executivo (federal, estadual ou municipal) toma uma decisão sem qualquer consulta, levantamento ou discussão com quem mais interessa. No final, todos têm que enfiar goela abaixo o que é decidido nas salas do poder sem que, como os maiores atingidos, haja possibilidade de opinar ou apresentar sugestões que possam melhorar ainda mais o projeto. Os donos do poder, que somos nós, os eleitores, não podem opinar e veem leis entrarem em vigor sem que tenham sido consultados pelos que elegeram. As decisões vêm de cima para baixo e acabam dando margem a ruidosos protestos e manifestações fomentadas por entidades ligadas a partidos de oposição. Quantas vezes isso não aconteceu no País? Mais recentemente, com o ajuste fiscal apresentado pelo governo cortando benefícios trabalhistas. Ou então, nas históricas manifestações de dois anos atrás, em junho de 2013, quanto ao aumento das tarifas do transporte coletivo urbano.
 
Agora, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) vive a mesma situação, por causa das mudanças no ensino público estadual anunciada pelo Palácio dos Bandeirantes. Ao menos 72 escolas estaduais foram ocupadas em todo o Estado em protesto contra a reorganização (número divulgado pela Secretaria Estadual da Educação). Em Franca, uma unidade também está ocupada por estudantes e integrantes de movimentos sociais. A mudança prevê que as unidades da rede tenham ciclo único, além do fechamento de 93 delas. Apresentada da forma que foi, sem a participação dos maiores interessados, dá margem a estas manifestações. Não se faz uma mudança grande como a pretendida pela Secretaria da Educação desta forma, o que acaba criando uma situação de instabilidade para o governo.
 
Que a mudança será benéfica, não há dúvidas. Mas não pode ser feita sem conhecer a opinião daqueles que serão afetados. Além disso, a realidade das regiões atingidas também precisa ser levada em conta, principalmente quando estudantes terão que se deslocar para estabelecimentos quilômetros distantes daqueles onde estudavam. Vários países, como os Estados Unidos, utilizam o esquema que se quer implantar aqui. Mas lá há uma rede preparada para isso, inclusive com o transporte gratuito que leva os alunos dos mais distantes pontos. No Brasil é bem diferente: a maioria dos estudantes da escola pública depende do transporte público que nem sempre tem condições de levá-lo da porta de casa até o estabelecimento de ensino. O governo paulista precisa levar em conta todos estes fatores antes de promover as mudanças se não quiser enfrentar uma oposição ruidosa que só mina os esforços para melhorar o ensino no Estado.
 
 
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