Dois meses depois de ser reinaugurado, o Pronto-socorro Infantil já apresenta problemas estruturais. Segundo funcionários do local, desde que a obra foi entregue, toda vez que chove um pouco mais forte na cidade, pipocam goteiras nos corredores e consultórios recém-reformados.
Além das goteiras, as paredes têm infiltrações. Boa parte da pintura feita já foi afetada. Ainda há problemas no escoamento de água, ralos entupidos e materiais sem qualidade. Segundo os servidores ouvidos pelo Comércio, entre médicos, enfermeiros e auxiliares de limpeza, a reforma foi feita toda com material de segunda linha. “Tudo o que fizeram não serviu de nada. As portas já estão caindo. As janelas não fecham direito. O teto e as paredes têm infiltração. Gastaram mais de R$ 1 milhão e continuamos sofrendo”, disse um dos médicos, que pediu para não ser identificado com medo de represálias.
O sucateamento, de acordo com os servidores, não se restringe aos materiais da obra. Boa parte do mobiliário e dos móveis também é reaproveitada. “Temos macas que estão cheias de ferrugem, quase caindo. As escadas usadas pelas crianças para subir nas macas também são velhas e enferrujadas. As lixeiras não têm tampas, o que acaba atraindo insetos e também representam um risco”, disse uma auxiliar de limpeza.
Até a ambulância que fica no Pronto-socorro para fazer a remoção dos pacientes para Santa Casa também teria sido trocada. “Quando fizeram a reinauguração colocaram uma nova aqui, mas depois de alguns dias a velha voltou e a nova foi embora”.
Também há problemas na sala de isolamento, onde ficam as crianças com catapora, suspeitas de meningite ou doenças contagiosas. Segundo os funcionários, lá não há banheiros nem ralos. “Quando as crianças vomitam, e isso acontece, temos que lavar e puxar a água para o corredor. O isolamento não serve de nada”, disse uma da faxineiras. Na sala de sutura, onde são feitos os curativos, o problema se repete. “Não temos como escoar a água com sangue que às vezes fica”.
A reforma do Pronto-socorro Infantil custou, segundo a própria Secretaria de Saúde, R$ 1,5 milhão. As obras duraram cerca de um ano e meio.
A reforma só foi feita depois de uma série de denúncias de médicos, enfermeiros e demais funcionários sobre a infestação de pombos, baratas, ratos e até escorpiões no PSI.
O caso ganhou repercussão e, em maio do ano passado, a prefeitura iniciou as obras que foram entregues no último dia 20 de setembro.
Investigação
Segundo o promotor de Justiça Murilo Lemos Jorge, as obras de reforma do Pronto-socorro Infantil e as condições de atendimento no local são alvos de uma investigação aberta pelo Ministério Público do Estado, mas o procedimento corre sob sigilo. “Em virtude de o inquérito civil ter seu sigilo decretado, não estou autorizado a dar qualquer informação a respeito das investigações. A única coisa que posso afirmar é que estamos acompanhando este caso”.
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