Há muito tempo, quem passa nas imediações do Paço Municipal, tem sentido um cheiro estranho. A fedentina, ainda restrita aos gabinetes fechados, pode acabar se espalhando por toda a cidade, caso o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) resolva atirar toda a sujeira (para não descambar para a escatologia) no ventilador. Como divulgou o colunista político Edson Arantes na edição de ontem do Comércio, o prefeito ameaçou um dos integrantes de sua base aliada: o vereador, segundo ele, teria vendido um título de cidadão francano por R$ 15 mil. Embora os nove parlamentares participantes da reunião com Xandão na segunda-feira tenham prometido nada dizer a respeito, a questão é que a ameaça vazou e acabou nas páginas do Comércio, Mais uma “pixotada” que coloca o vereador Pastor Otávio (PT), alvo da ameaça, em situação delicada.
Tudo começou quando o prefeito chamou os aliados para discutir a atuação deles na questão da transferência de R$ 500 mil para a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) fazer a decoração de Natal na cidade. Como a proposta foi rejeitada, Xandão não se conformou e quis ‘enquadrar’ aqueles que, esperava, deveriam dar aval à sua intenção. Aí, a questão descambou para outro fato que agastou ainda mais o prefeito: o veto ao projeto, apresentado pelo Pastor Otávio e aprovado pela Câmara, o qual previa a instalação de mecanismos de segurança nos bancos para conter explosões de caixas eletrônicos. Xandão, atendendo ao pedido dos bancos, vetou alegando que a proposta era “contrária ao interesse público”. Depois do veto, descobriu-se que um banco havia sido o maior doador individual da campanha do prefeito.
Foi o que bastou para o chefe do Executivo francano acreditar que o petebista havia alertado o Comércio sobre o fato e, por conta disso, em revanche, disse que Pastor Otávio teria “cobrado” por um título de cidadão francano a quantia de R$ 15 mil. A discussão, que ocorreu a portas fechadas, também “vazou” e mostra claramente como vem funcionando a administração do município nos últimos anos. Xandão ameaça e chega à beira da chantagem para fazer valer os seus atos, mesmo que inexplicáveis. Cabe agora ao vereador acusado vir a público e se explicar. E o prefeito demonstrar onde é que, no caso dos bancos, a exigência de mais segurança contraria o interesse público. Diante de tudo o que envolve a sua administração, resta saber se Alexandre Ferreira conseguirá se manter no posto até o fim do mandato. E, principalmente, se sua acusação contra o vereador é real ou se não passa de mais uma jogada do prefeito francano.
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