Os episódios trágicos do último dia 12 vividos pelo povo francês, atribuídos a extremistas do Estado Islâmico, denotam, mais uma vez, a intolerância religiosa que ainda teima em persistir em nosso planeta.
Terroristas fortemente armados, em ações coordenadas e planejadas, ingressam em espaços públicos diferentes a pretexto de defender seus ideais religiosos e, sem qualquer dor, matam aleatoriamente pessoas inocentes de várias nacionalidades e credos religiosos. Foram centenas de mortos e feridos.
A França tem se mostrado um país vulnerável à prática de atos de terrorismo, especialmente em razão de sua posição geográfica no continente europeu. Também e principalmente por ter uma população muçulmana elevada. Relembre-se que no início do ano houve o ataque à redação do jornal satírico Charlie Hebdo com doze mortes e, no mesmo dia, em mercado parisiense deixando um saldo de quatro óbitos.
Evidente que esses atos de insanidade não podem e nem devem levar a ódio contra todos os muçulmanos.
A maioria é de pessoas de bem que trabalham e respeitam as tradições e as preferências religiosas dos outros. No entanto, não há como negar que tais episódios acabam por alimentar, infelizmente, o ódio, a discriminação e a rejeição contra todos, conduta que certamente trará novas e desastrosas consequências. Ódio, sem dúvida, realimenta ódio.
No plano geral, o que se infere desses extremismos é o desprazer de reconhecer que, em pleno século XXI, ainda se mata o semelhante com o argumento de ‘fazer justiça em nome de Deus’, o que é absolutamente inconcebível.
Estejamos certos, no entanto, que os ideias da Revolução Francesa — Liberdade, Igualdade, Fraternidade — permanecerão.
Paris também resistirá, como, aliás, pela força e determinação de seu povo resistiu bravamente na Segunda Guerra aos ataques das forças nazistas.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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