O Brasil tem registrado, desde o início do ano, uma queda impressionante da atividade econômica. Atualmente, este declínio se torna mais severo e, por causa disso, todo o País sofre com uma crise que, pelo que se percebe (e ao contrário do que o governo apregoa), deve demorar muito para acabar. Ainda mais por causa da dificuldade que a equipe econômica vem encontrando junto ao Congresso Nacional por causa de uma crise institucional, a qual impede que as medidas de ajuste fiscal sejam discutidas, aprovadas e colocadas em prática. Junte-se a isso o imbróglio envolvendo o orçamento para o ano que vem (que poderá ter cortes superiores a R$ 50 bilhões) e a falta de interesse do governo em atacar de forma corajosa os seus próprios gastos, o que permite que o rombo aumente cada vez mais, deixando o setor produtivo sem qualquer alternativa que não seja redução da atividade e demissões.
Com a crise econômica afetando a atividade econômica e o pagamento de impostos, a arrecadação de tributos pelo governo federal registrou queda pelo sexto mês consecutivo. Este é um dos indícios de que a coisa vai mal. Dados divulgados pela Receita Federal mostram que o recolhimento de impostos e contribuições federais somou R$ 103,530 bilhões em outubro, uma queda real (já descontada a inflação) de 11,33% na comparação com o mesmo mês de 2014. Em relação a setembro, houve um aumento de 7,82% na arrecadação. Foi o pior desempenho para meses de outubro desde 2009. Se esta situação perdurar, o buraco continuará crescendo, já que o governo continua gastando sem que haja provimento de recursos suficientes para financiar a máquina administrativa e os serviços públicos.
Como se pode ver, tudo pode piorar caso o setor produtivo brasileiro não consiga dar a volta por cima. Com a retração nas vendas e na produção de bens, o Brasil vive uma situação difícil, que pode ter sido iniciada ainda em 2008, quando o governo viu como solução para a crise global a desoneração de impostos para estimular o consumo. Naquela época, ainda neste mesmo espaço, alertávamos para os problemas que poderiam se impor, como o estouro da bolha que se criaria e que se confirma atualmente. O descontrole da área econômica do governo nos trouxe para este buraco sem fundo. Empresários e trabalhadores, em todos os setores, vivem dias de preocupação, sonhando com a retomada da produção e a recomposição do mercado de trabalho. Caso o nó criado entre Executivo e Legislativo não seja desatado, fecharemos 2015 como um ano perdido, torcendo para que 2016 seja diferente.
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