Os alunos e funcionários do Senac tiveram, na última quinta-feira, a oportunidade de conversar pessoalmente com a sobrevivente do holocausto Nanette Blitz Konig, de 86 anos. Além de relatar características de seu trabalho forçado no campo de Bergen-Belsen, na Alemanha Nazista, a holandesa também contou como foi sua convivência com a menina também judia Anne Frank, com quem estudou na adolescência e a quem reencontrou no exílio.
“Não sei como reconheci a Anne em meio a toda aquela gente. Ela estava muito magra -éramos dois esqueletos - e tinha um cobertor jogado nas costas porque ela não aguentava os piolhos de sua roupa”, disse na palestra. “Eu a chamei e nos abraçamos.” Fora esta triste lembrança, Nanette também compartilhou com os presentes a que tem do aniversário de 13 anos de Anne, quando esta foi presenteada, pelo seu pai, Otto Frank, com o famoso diário.
“Por suas escritas, percebemos que a Anne era muito madura. Teria sido uma bela jornalista ou escritora, se tivesse tido a chance. Ela morreu poucos meses antes de sermos libertados de Bergen-Belsen”, relembrou. “Sobrevivi ao holocausto mas, quando saí de Bergen-Belsen, me vi doente, sem família, sem estudo -porque não havia terminado o colégio quando fomos presos - e sem dinheiro. Fui para um sanatório.”
Após ser acolhida por tias da Inglaterra, a holandesa conheceu John, também órfão e que estava de mudança para o Brasil. Por dois anos, se corresponderam por cartas, até que decidiram se casar.
Além de seus relatos pessoais, que expuseram a truculência dos soldados e a tristeza pela perda dos pais e irmão, Nanette deu uma aula de história. Trouxe aos jovens números impactantes sobre as vítimas deixadas pelo nazismo.
Segundo o quadro que apresentou, a quantidade de mortos ultrapassa os 17 milhões. “Não se têm números exatos, porque muita coisa não foi registrada, mas essas são as estimativas mais próximas da realidade”, afirmou. Entre os perseguidos pelo regime de Adolf Hitler, estiveram os judeus, dissidentes do regime político, prisioneiros de guerra, homossexuais, deficientes e outros.
“Para mim foi muito importante porque ouvir tudo isso de uma pessoa que viveu a história me fez sentir na pele. Muitas vezes a gente reclama, dizendo que não temos nada, mas aquelas pessoas (perseguidas pelo nazismo) é que realmente não tinham nada”, disse o estudante Vinícius Pereira. “A gente não pode esquecer histórias assim, principalmente porque o mundo ainda vive guerras. Ouvir o que ela tem a dizer é bom para nos fazer refletir: será que o que estamos fazendo, hoje, é o que é bom?”, disse a também estudante Ana Carolina Cunha, após a palestra.
Os interessados em conhecer melhor a história de Nanette podem procurar pelo livro Eu Sobrevivi ao Holocausto, baseado em sua vida e editado pela Universo dos Livros.
Exposição no Senac
O Senac Franca recebe até a próxima segunda-feira a exposição itinerante Anne Frank - histórias que ensinam valores. Na mostra, a vida da célebre adolescente judia é contada através de maquetes, fotos, roupas e fragmentos de seu livro O Diário de Anne Frank.Uma das intervenções que mais chamam a atenção é a cabine de sensações.
Durante o percurso até à interpretação do que seria uma câmara de extermínio, os visitantes leem indagações sobre o que sentiriam a caminho da morte. Ao entrar na cabine, um espaço apertado e sem luz, um efeito especial torna a experiência ainda mais reveladora.
Os interessados poderão visitar a exposição até 23 de novembro, das 8 às 21 horas de segunda a sexta-feira e das 8 às 15 aos sábados, na Escola Senac. Rua Alfredo Lopes Pinto, 1345, Vila Teixeira.
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