Transporte público


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A lógica de mobilidade urbana que há hoje em nosso país precisa ser urgentemente repensada. Quem tem carro sofre com o trânsito, e quem não tem, sofre nos ônibus lotados. Um modelo de transporte público que promova a integração da cidade, com segurança, conforto, abundância e baixas tarifas (ou, idealmente, a ausência de tarifa) traria benefícios para todos, não apenas para quem não tem ou não usa veículo individual. 
 
Com uma nova forma de pensar a cidade, toda a dinâmica urbana seria transformada, o que geraria desenvolvimento econômico e bem estar para as pessoas. A facilidade de se movimentar de maneira barata e segura faria com que direitos como a educação, a saúde, a cultura e o lazer fossem concretizados, democratizando a cidade. 
 
Todavia, o que vemos é um cenário de desrespeito à população que necessita do transporte público, com altas tarifas e serviços de péssima qualidade. O custo social do transporte individual é enorme, como acidentes, poluição e estresses proporcionados pelo trânsito. 
 
As montadoras de automóveis e as empresas concessionárias do transporte coletivo são as únicas que lucram com esse caos. Porém, é um absurdo que esses interesses privados se sobreponham ao interesse público. É necessário que o Estado tenha um papel atuante na gestão e no planejamento urbano. O direito à vida é fundamental para a qualidade de vida das pessoas.
 
A tarifa de ônibus urbanos praticada em Franca está entre as mais caras do país. A gestão do transporte coletivo francano é feita por empresa que já teve graves problemas na justiça. O prefeito já perdoou, à surdina, uma dívida milionária que essa mesma empresa tinha por não cumprir o contrato de concessão dos serviços. O resultado é conhecido: ganhamos, todos os anos, aumentos de tarifa acima da inflação. 
 
Franca é o retrato piorado da atual situação do transporte público brasileiro.
 
 
Alex de Oliveira Dutra
Engenheiro, especialista em Gestão Pública, professor universitário

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