Um dia para conscientizar sobre os problemas, tratamentos e formas de prevenção de uma doença que vem crescendo no Brasil e já atinge mais de 13 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. Neste sábado, dia 14, foi celebrado o Dia Mundial do Diabetes. Franca tem hoje pelo menos 30 mil pessoas diabéticas, segundo estimativas da equipe da Casa do Diabético, baseadas em dados da Organização Mundial da Saúde.
A doença se caracteriza pela alta taxa de glicose (açúcar) no sangue, devido a não produção ou ação ineficiente da insulina, que é um hormônio fabricado no pâncreas. “A insulina ajuda a colocar a glicose para dentro da célula para ser metabolizada, se tornando uma fonte de energia”, disse a endocrinologista Denise Ludovico.
Entre os tipos mais comuns estão o I, no qual por um problema autoimune a pessoa não consegue produzir insulina. O corpo cria anticorpos contra o pâncreas, assim as células que produzem insulina param de funcionar. Também existe o tipo II, em que a insulina não age corretamente ou não há uma produção eficiente, sendo mais comum após os 40 anos.
“Não há uma causa estabelecida ainda para o diabetes, é uma doença hereditária, mas que não depende apenas dos genes, mas também do estilo de vida”, disse a endocrinologista. A ocorrência é mais comum nos primeiros anos de vida e na adolescência.
A prevenção pode ser feita para o diabetes tipo II e envolve uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos. O tratamento também compreende essa postura saudável, além do uso de insulina e anti-diabéticos orais.
Em relação aos sintomas do diabetes, costuma ocorrer a perda de peso, o consumo excessivo de água, urina em excesso e fome descontrolada. “A maioria das pessoas não sabe que tem diabetes, falta conscientização e prevenção. No caso da modalidade II, cerca de 50% das pessoas não têm nenhum sintoma”, afirmou a médica.
Segundo Denise, entre as complicações em decorrência da doença estão problemas relacionados ao sistema cardiovascular. “As pessoas com diabetes têm um risco aumentado de ter infartos, pode haver hipertensão, alteração nos vasos da retina e dos rins”, disse a endocrinologista. “A doença ainda não tem cura, tem controle e os pacientes podem conseguir viver com uma boa qualidade de vida”, complementou (leia mais informações no quadro).
Convivendo com o diabetes
A sapateira aposentada Ana Célia Fernandes, 60, ainda lembra das dificuldades que passou ao descobrir que o filho, na época com apenas dois anos, era diabético. “Meu filho emagreceu muito, bebia muita água e fazia muito xixi e começou a ter sintomas de asma. Eu não conhecia muito sobre a doença e um médico disse que ele estava com vermes”, disse a mãe. Ao conseguir um diagnóstico correto, que revelou o diabetes, o menino foi imediatamente internado. “No começo foi muito difícil adaptar com a insulina e acertar a dose, hoje ele aplica sozinho dois tipos de insulina. Na parte da dieta agora existem muitos produtos diet, porém são caros”, disse ela.
Hoje com 21 anos, João Paulo Fernandes afirma que o fato de ter tido a doença cedo fez com que o tratamento se tornasse parte da rotina. “Quando eu era pequeno era difícil ficar longe dos doces e tomar injeção, mas com o passar do tempo ficou mais tranquilo”, disse o jovem.
Tratamento em Franca
Criada há mais de 20 anos, a Casa do Diabético oferece tratamento na cidade e acompanha atualmente cerca de três mil pacientes. O local passa por uma reforma que deve ser concluída no final do mês. “Ampliamos um consultório, teremos uma cozinha e pisos novos para atender melhor a população”, disse o diretor do local e do Lions Centro, João Antônio Borges.
Apesar das melhorias, a entidade é alvo constante de reclamações devido a falta de médicos especialistas e a dificuldade para obter fitas de teste de diabetes. O local funciona a partir de uma parceria entre o Lions e a Prefeitura.
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