Embora o slogan do governo Dilma Rousseff (PT) seja “Brasil, Pátria Educadora”, o ensino público por aqui continua apresentando índices baixos em diversos rankings nacionais e internacionais. Nas últimas décadas, houve uma deterioração no setor, que passa pela desmotivação, falta de valorização e formação inadequada de educadores. Ultimamente, um novo ingrediente vem se somar a este cardápio indigesto: a falta de segurança dos professores, que se sentem desprotegidos diante de ataques de estudantes, muitos deles pré-adolescentes, dentro das salas de aula. Perderam completamente a autoridade enquanto seus agressores se sentem fortalecidos em razão de uma “proteção” chamada ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que sonega até aos pais o direito de tomar medidas mais severas na educação dos próprios filhos.
De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 13,2 milhões de brasileiros ainda não sabem ler nem escrever, um percentual de 8,3% da população. Isso faz com que o Brasil não tenha atingido a meta da ONU (Organização das Nações Unidas): o País deveria chegar a 2015 com 93,5% da população alfabetizada, ou 6,5% de pessoas iletradas. O único avanço (e que não se deve a investimentos, mas sim às novas normas que envolvem a educação básica) foi uma expansão da educação infantil: a faixa etária em que o número de pessoas frequentando a escola no País mais cresceu entre 2013 e o ano passado foi a de 4 a 5 anos de idade, na qual as crianças estão na pré-escola. Antes, entravam na pré-escola apenas crianças com mais de seis anos de idade.
Por isso, o Brasil pode ser tudo, menos uma “pátria educadora”, diante destes números. As discrepâncias entre a qualidade do ensino público e o particular, com algumas exceções, ficam evidentes a cada “provão”que avalia os estudantes brasileiros. Além disso, diferença na qualidade entre escolas de regiões distintas aponta para a falta de uniformidade, tanto na formação dos educadores quanto no currículo. De acordo com pesquisas divulgadas recentemente, embora invista um montante considerável na educação básica, o poder público (aí envolvidos os governos federal, estaduais e municipais) destina mal os recursos. Um currículo comum em todo o País seria capaz de reduzir os gastos com material e livros didáticos. Aí, a questão da má formação de profissionais poderia ser atacada e uma ação coordenada com a sociedade seria capaz de permitir que a escola seja vista por seus alunos não apenas como um local de recreio ou de reunião com os colegas, mas sim como um templo do saber, como já ocorreu em nosso País.
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