O carro conduzido pelo auxiliar-geral Cairo César Cruz, de 24 anos, estava a 130 km/h antes dos freios serem acionados e, segundos depois, matar três dos cinco ocupantes do veículo. A informação é do Núcleo de Segurança de Trânsito da USP (Universidade de São Paulo), que analisou o vídeo que mostra o exato momento em que o Fiat Linea desce a avenida Paulo VI e bate em uma placa e depois em uma árvore.
A pedido do Comércio, o núcleo estudou as imagens de segurança de uma loja próxima do ponto onde o carro bateu e calculou sua provável velocidade, que era mais que o dobro permitido na via. “Na impossibilidade de estar no local para fazer medições, foi realizada uma análise baseada no vídeo e nas informações passadas de que uma frenagem de aproximadamente 65 metros foi constatada no asfalto pela perícia. Esse estudo aponta uma velocidade inicial do carro antes do acionamento do sistema de freios de 130 km/h”, disse Coca Ferraz.
No vídeo, é possível visualizar que três carros passaram pela avenida antes do Linea dirigido por Cairo. Mesmo para um leigo, as imagens permitem observar que eles estavam em velocidade bem menor do que a do Linea. De acordo com o especialista, esses carros trafegam em uma velocidade de até 60 km/h. Segundos depois, o automóvel conduzido por Cairo aparece nas imagens. “Dá para perceber que os freios foram acionados na descida da avenida e o carro vem e bate de lado na árvore. Naquele momento, a velocidade média era de 100 km/h. Mas, para ter certeza, é necessário esperar o laudo da perícia, que poderá detalhar o que aconteceu”.
O acidente
A tragédia da avenida Paulo VI aconteceu na madrugada do dia 31 de outubro, após os jovens saírem de uma padaria próxima a Unifran e que funciona 24 horas. Por volta de 4h30, por motivos a serem esclarecidos, Cairo César Cruz perdeu o controle do Fiat Linea que dirigia, invadiu o canteiro central e bateu em uma placa de publicidade e em uma árvore.
Com o impacto, as jovens Mariana Luiza de Souza, 19, Carolina Rodrigues Borges, 20 e Bruna Cintra Justino, 20, morreram. O estudante César Eduardo Gonçalves, 16, que também estava no carro, sofreu ferimentos leves.
O motorista ficou 12 dias internado na Santa Casa. Ele foi socorrido em estado grave e ficou na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por uma semana antes de ir para um quarto do hospital. Na noite de quinta-feira, Cairo teve alta e foi para casa. Ele passa bem.
Investigações
Enquanto o laudo técnico não fica pronto, uma vez que o prazo é de até 30 dias, o delegado Dalmo Mateus Polo, do 4º Distrito Policial, tem realizado oitivas com testemunhas e pessoas envolvidas.
Na última segunda-feira, Dalmo ouviu o jovem César Eduardo Gonçalves, que disse não se recordar do momento do acidente. Acompanhado de sua mãe e de um advogado, o mesmo de Cairo, César afirmou que não se lembra sequer de ter entrado no carro do auxiliar-geral e que ingeriu apenas um copo de vodca enquanto estava na padaria, na companhia das vítimas e outros amigos.
Ainda de acordo com o delegado, César disse que não ficou olhando para o que as outras pessoas estavam bebendo na padaria e se Cairo ingeriu bebida alcoólica. Imagens do estabelecimento mostram os jovens comprando vodca, cerveja e sucos, e Cairo segurando um copo que, segundo o delegado, parecia conter cerveja.
Após o depoimento de César, Dalmo deverá ouvir, na semana que vem, outras testemunhas que foram qualificadas no boletim de ocorrência do acidente e o próprio motorista. “Vamos confrontar o que foi dito com outras provas, como os laudos da perícia e imagens da padaria”, informou o delegado.
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