A situação político-econômica do Brasil nos últimos tempos está cada vez pior e não se vê, por parte de nossas autoridades constituídas (eleitas ou não) qualquer movimento no sentido de buscar uma saída capaz de devolver a confiança aos investidores e ao setor produtivo, aliviando assim a classe que tem mais sofrido com essa recessão que continua amedrontando: a dos trabalhadores. A questão passa por medidas cada vez mais fortes, mas afetando principalmente os aquinhoados com benefícios extremados que não contemplam quem trabalha com carteira assinada. Da presidente aos vereadores, é preciso entender que não temos condições de manter mordomias. É preciso que o dinheiro dos contribuintes siga diretamente para os setores onde ele mais sofre: saúde, educação e infraestrutura.
Quando a crise atinge de forma sistemática o setor comercial é hora de repensar toda a estratégia de combate traçada pela equipe econômica do governo federal. O Congresso, além disso, precisa entender que não pode exigir esforço e união quando não dá o exemplo e deixa a questão política suplantar a recessão que está prejudicando todo o País. A queda nas vendas do varejo, que chega a 3% neste ano, mostra que nada vai bem, refletindo o resultado da produção (industrial e do agronegócio). As vendas despencam num setor que sempre se mostrou sólido: hoje o brasileiro tem evitado comprar um carro novo ou mesmo um eletrodoméstico para continuar honrando seus compromissos diante do crescimento das despesas com comida e serviços básicos, como energia elétrica, abastecimento de água e moradia.
O brasileiro acompanha bastante apreensivo as movimentações do Congresso para a aprovação de um ajuste que seja realista e não cobre apenas dos trabalhadores e do contribuinte o alto preço do descontrole econômico do governo e da corrupção, que corrói os cofres públicos e sonega serviços essenciais para quem mais precisa. Ao cortar a proposta de orçamento do governo, os deputados não reveem nenhum de seus benefícios — que são muitos — ou então a reforma do prédio que abriga a Câmara dos Deputados, a qual prevê até um shopping center ao custo superior a R$ 1 bilhão. O cidadão brasileiro já está cansado de acompanhar as discussões que envolvem o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a derrubada do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele quer ver soluções capazes de levar o Brasil a retomar o crescimento econômico sem que pague mais do que vem pagando. E isso exige responsabilidade, comprometimento e bom senso que os nossos políticos demonstram, diariamente, não possuir.
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