Hoje é a terceira e última vez neste ano que o calendário registrará uma sexta-feira 13. A data, tida como causa de mau agouro, não provoca, atualmente, o mesmo pânico de outros tempos, quando simpatias como amarrar galhos de pinhão-roxo em cruz com uma fita branca ou defumar a casa com sete ervas faziam sucesso. Ainda assim, segundo Amaro Olímpio da Silva, 84, dono da loja de artigos religiosos Bazar da Boa Sorte, o movimento em seu comércio chega a crescer até 40% em função da data.
“Hoje em dia, o público principal são os devotos da umbanda e quimbanda”, afirma Amaro. “Eles buscam, principalmente, o banho de descarrego, perfumes e talcos de boa sorte, além de velas. Os católicos costumam procurar pela imagem de São Bento”, completou.
Já os ouvintes da rádio Difusora, embora afirmem que a superstição não seja tão presente hoje em dia, garantem que é sempre bom rezar para espantar qualquer azar. “Eu já fui supersticiosa. Quando tinha comércio, colocava um grande vaso de comigo-ninguém-pode ou gambá na entrada para espantar a inveja e o mau olhado”, lembra a pespontadeira Vera Lúcia de Carvalho. “Hoje, não mais. Independentemente de ser sexta-feira 13 ou não, sempre que sinto uma energia ruim, uma ameaça ou coisa estranha, rezo a oração de São Bento, que é poderosa!”
Para a dona de casa Sandra Aparecida de Souza Gomes, a sexta-feira 13 é um marco especial. Há 18 anos, ela se viu na sala de parto orando para que desse à luz tranquilamente, apesar das más previsões e fama que a data carrega. “Eu ainda não acredito neste azar, mas quando fui ter o meu filho, isso mexeu comigo”, relembra. “Não tinha me dado conta de que meu filho nasceria numa sexta-feira 13 até ouvir uma enfermeira conversar sobre o assunto no telefone. Comecei a suar e me deu uma coisa ruim. Quando ela desligou, eu falei: ‘Mas, enfermeira, vou ter meu filho numa sexta-feira 13?’ Ela perguntou se eu era supersticiosa e eu disse que não. Depois, para me tranquilizar, me apeguei a Deus e orei para que tudo saísse bem, o que funcionou.” Ainda de acordo com Sandra, as peraltices de seu filho, na infância, eram atribuídas pelos conhecidos como obra da sexta-feira 13.
Outro que não acredita mas mantém um pé atrás é o comerciante João Hernani Rabelo. Para ele, ter colocado o nome Luck - um bruxo que, segundo acredita, faz parte do folclore do Halloween e sexta-feira 13 - em seu cão é uma estranha coincidência que pode estar ligada ao comportamento mal criado do animal. “É um assunto místico, então pode ser que exista ou não (os mistérios da sexta-feira 13). Ganhei um cachorro pastor que vivia acorrentado e era um pouco agressivo. Ele se chamava Lu, mas decidi mudar o nome para Luck, sem saber da história do bruxo. Achei coincidência ele ter essa personalidade e ter acabado com esse nome”, disse. “É como disse Shakespeare: ‘Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia’.”
A sexta-feira 13
As histórias e lendas para explicar a associação da sexta-feira 13 ao azar são muitas e as “provas” podem ser coletadas em diversas culturas. Uma das teorias mais aceitas é a de que Jesus Cristo teria sido perseguido pela data já que, antes de ser crucificado, em uma sexta-feira, sua Santa Ceia foi celebrada por treze participantes.
No entanto, a superstição acabou se tornando popular, em tempos mais recentes, com os lançamentos de filmes de terror baseados na data, como a famosa sequência de Sexta-feira 13. Os filmes são protagonizados por Jason Voorhees, um serial killer que ataca nessa data.
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