Bancado pelo banco


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A sessão de terça-feira pegava fogo na Câmara, com as discussões do projeto que autorizava a Prefeitura repassar R$ 500 mil para a Acif, quando um vereador governista me convidou para tomar café em seu gabinete. Disse que pretendia me entregar um material interessante. Não que eu seja curioso, mas fui ver o que era. Recebi uma folha de papel, que havia sido impressa do site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com a prestação das contas de Alexandre Ferreira (PSDB) nas eleições de 2012. Ele declarou ter gastado R$ 162,9 mil. Dinheiro de pinga, tratando-se de campanha eleitoral. Se teve algo por fora, não sei.
 
Entre os que colaboraram, estão a mulher do próprio prefeito e alguns nomes conhecidos dos promotores de Justiça, como Humberto Mazza, Wilson Teixeira, Sérgio Gerbasi e Jerônimo Sérgio Pinto. Todos com quantias pequenas, que não passaram de R$ 5 mil. Mas, não são eles que mais chamam a atenção na relação de doadores. Ganha uma hora de graça na fila de uma agência bancária qualquer, o leitor que descobrir quem foi o maior patrocinador de Alexandre: dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Apostas encerradas.
 
Saíram dos cofres do Itaú - isso mesmo, de um banco! - a maior quantia doada para a campanha do prefeito. Ele declarou à Justiça Eleitoral ter recebido R$ 30 mil do Itaú, ou seja, quase 20% do total. 
 
Não quero, com isso, insinuar que o dinheiro recebido tenha influenciado na decisão do prefeito em atender pedidos dos banqueiros e vetar o projeto que obrigava as agências a instalar mecanismos de proteção para coibir explosões de caixas eletrônicos. Alexandre alegou que a proposta, sugerida pela Polícia Militar, é “contrária ao interesse público”. 
 
O veto não tem nada a ver com a doação que ele recebeu do banco. Foi apenas uma coincidência. Como também foi coincidência o prefeito ter assinado contrato na surdina com a São José e concedido licenças ambientais ilegais para donos de curtumes. Ah, eu também acredito em duendes e Papai Noel!
 
Churrascada: A Câmara aprovou o título de cidadão francano para o vereador Laercinho (PP), que nasceu no Paiolzinho, segundo ele, do lado de Claraval (MG). Ele vai doar uma vaca para fazer a festança.
 
Até o capitão Nascimento: Rodrigo Pimentel, autor do filme Tropa de Elite, fez palestra em Franca terça-feira e brincou o tempo todo com Daniel, um jovem que estava na plateia. Ao ouvir que o rapaz sofria pressão no serviço e não era reconhecido pelos chefes, Pimentel perguntou se ele trabalhava na Prefeitura. A plateia respondeu com sorrisos e uma salva de palmas. 
 
Negócio mal explicado: O prefeito publicou portaria no Diário Oficial autorizando o abastecimento de até 90 litros por mês, no posto da Prefeitura, de veículo particular utilizado por uma servidora a serviço da Prefeitura. Segundo a portaria, a mulher ocupa cargo em comissão de diretora da divisão administrativa da UPA do Jardim Anita. A tal unidade ainda não foi inaugurada.
 
Combate ao câncer: A Câmara realizará solenidade, hoje, às 20 horas, para entregar a premiação do concurso cultural “Era uma vez” e homenagear pessoas que contribuíram para a campanha Ana Laura de doação de medula óssea. Serei um dos homenageados, ao lado de Rita Mozetti, Marília Assis, Suellen Andrade, Paulo Gimenes e Antônio Guerra Neto. 
 
Melhor do que iluminação de R$ 500 mil: Se o prefeito quer mesmo ajudar os comerciantes a venderem mais no Natal, basta liberar as vagas de estacionamento que ele cortou no Centro. Não vai custar nada aos cofres públicos.
 
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br

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