O ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), do Rio de Janeiro, Rodrigo Pimentel, deu continuidade ao ciclo de palestras em comemoração ao centenário do jornal Comércio da Franca. Ontem à noite, por duas horas, ele discorreu sobre a profissão, operações, retorno ao batalhão, buscou despertar nas pessoas a necessidade de superar os desafios do ambiente de trabalho e também sobre o que é ser um líder.
Com bom humor e irreverência, Pimentel palestrou para 300 pessoas no Teatro “Judas Iscariotes”. Ele iniciou a palestra falando sobre o filme Tropa de Elite, seu primeiro roteiro para o cinema e também primeiro longa-metragem do cineasta José Padilha.
Depois, comentou as operações em que atuou pelo Bope; mortes de policiais em serviço; casos em que traficantes conhecidos foram presos e a pacificação de morros, como os do Complexo do Alemão e de Dona Marta, atualmente ocupado por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) da PM. Pimentel comparou os “baixos” índices de delitos dessa comunidade carioca com os de Franca e disse que são menores que os registrados na cidade. “Os números são melhores, inclusive em relação a analfabetismo, tráfico e violência”, afirmou.
O ex-capitão, que também é sociólogo de formação e especialista em segurança pública, falou sobre enfrentar os desafios e ser um “caveira” do Bope. O termo, segundo ele, denomina quem tem a capacidade de derrotar as adversidades, tem inteligência para influenciar a equipe e compreende que o próprio interesse deve ser o mesmo do grupo.
Ao final da palestra, o ex-capitão do Bope comentou sobre o batalhão. Disse que saiu porque o sistema não funcionava mais. “Fazíamos invasões e operações em favela, aprendíamos armas para, no dia seguinte, estar tudo lá de novo. Saí decepcionado, não adiantava. Anos depois, adotaram a estratégia de ocupação. Hoje em dia, com essas unidades pacificadoras, eu voltaria tranquilamente para o Bope.”
Carreira
A trajetória de Rodrigo Pimentel na Polícia Militar do Rio de Janeiro começou em 1990 e seguiu até 2001. De 1995 a 2000, ele foi capitão do Bope e liderou a equipe Alfa. Depois, aos 29 anos, pediu exoneração.
Desde então, se especializou em roteiros para o cinema. É dele a história dos filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite II. Além disso, foi um dos produtores do documentário Ônibus 174. Pimentel também é autor do livro Elite da Tropa e, hoje, atua como comentarista de segurança pública na Rede Globo.
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