Um ponto bem fora da curva


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A manifestação dos caminhoneiros, iniciada ontem em pelo menos oito Estados do País, segundo as informações transmitidas pelos próprios organizadores, deverá ser danosa principalmente à população brasileira, uma vez que dificilmente os dois principais pedidos — redução do preço do óleo diesel e renúncia da presidente Dilma Rousseff (PT) — serão atendidos. O viés político desde movimento, que tem encontrado resistência junto a algumas entidades que reúnem a categoria, é o principal complicador para que os bloqueios, que podem aumentar, sejam cancelados. A esperança de todos nós é de que a categoria consiga resolver a principal questão para motoristas autônomos e transportadoras: uma tabela de preços mínimos para o frete, uma reivindicação antiga e que pode ser atendida agora.
 
O problema maior é que o próprio governo, o maior alvo dos protestos (que, embora liberem a passagem de veículos particulares e de ônibus, ao contrário de outras ocasiões, tornam rodovias lentas e prejudicam o transporte de mercadorias), faz de conta de que nada está acontecendo e não busca encontrar uma saída para o impasse que, a prosseguir, irá impactar de forma negativa sobre a população brasileira. O viés político do movimento também é um complicador a mais. Não podemos mais ser prejudicados por causa de ações deste tipo que, já sabemos, não darão em nada no final. É certo que o governo federal não irá aprovar uma redução no preço do óleo diesel e muito menos a presidente Dilma irá renunciar por causa deste protesto. Só a população brasileira sairá no prejuízo.
 
O problema maior é que o transporte de produtos duráveis (como eletrodomésticos) ou perecíveis (verduras, entre outros) é feito principalmente por via rodoviária no País. Uma manifestação como o bloqueio realizado pelos caminhoneiros pode causar o desabastecimento, não apenas de alimentos mas também de combustíveis (em várias cidades brasileiras, no fim de semana filas quilométricas foram registradas em postos de gasolina por causa desta hipótese). Numa situação de crise como a que vivemos na atualidade, a redução dos estoques pode impactar nos índices inflacionários, provocando o aumento inesperado de uma série de artigos que não podem ser ignorados, pois fazem parte da classe dos produtos de necessidade básica. De tomate ao gás de cozinha, da carne ao combustível, tudo pode faltar. E nós, que não temos nada a ver com isso, teremos de ficar aqui torcendo para que o bom senso prevaleça, o Brasil retome seu funcionamento normal o mais breve possível e o brasileiro não precise pagar mais esta conta com o seu sacrifício.
 
 
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