Um mesmo anúncio tem tomado conta das portas, muros e janelas dos imóveis no Centro de Franca. São placas e faixas de “aluga-se” que se espalham por ruas e avenidas da região central. Somente nas quatro principais ruas comerciais (Major Claudiano, Monsenhor Rosa, Ouvidor Freire e Campos Salles) e no calçadão, o Comércio contabilizou na última terça-feira, 3, 40 estabelecimentos fechados, incluindo salas para escritório e até estacionamentos de veículos. No montante também há algumas casas, mas com uso voltado para o setor comercial.
Instaladas em prédios novos ou usados, as placas indicando a disponibilidade para locação além de funcionarem como um termômetro do setor, atualmente demostram que há mais oferta do que procura. Funcionária do departamento de locação da imobiliária AACosta, Jacqueline Vioto Mota diz que anteriormente um prédio do Centro era locado no prazo médio de dois meses e que hoje, o tempo de espera já chega a meio ano. “A procura realmente está menor, ninguém quer arriscar. Ao mesmo tempo há mais oferta de pontos comerciais e uma consciência maior do proprietário em reduzir o preço do aluguel”. Espaços que antes eram locados por R$ 1,5 mil, por exemplo, são ofertados agora com descontos de R$ 400.
Associação
Segundo o presidente da Abifran (Associação das Administradoras de Bens Imóveis de Franca), Ailton Lopes Soares, o cenário é reflexo da crise econômica nacional, que assim como outros setores também atinge o mercado imobiliário. “É uma situação de momento que não sabemos quanto tempo irá durar. O aluguel faz parte dos custos de uma empresa, mas quando ele começa a gerar sufoco no orçamento significa que o negócio não está bem e isso infelizmente tem acontecido”.
Para Soares, o mercado atual está retraído e quando um inquilino deixa um imóvel a relocação demora mais para ocorrer. “Nesse momento há poucos investidores que querem expandir ou fazer mudanças e os novos empreendedores estão mais receosos em apostar na economia”.
Vazios
São tantas as opções disponíveis que as ruas mais parecem um “classificados” e dá até a impressão de abandono do Centro, conforme sentencia o presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), Dorival Mourão Filho. “Não sabemos porque de tantos pontos fechados. Há várias possibilidades. Uma delas é a crise, que resulta em queda das vendas, mas também podemos pensar que o Centro ficou ruim devido a falta de vagas e de segurança e os comerciantes estão migrando para outros endereços. Outra vertente são os preços dos aluguéis supervalorizados que acabam afastando os empresários”.
No calçadão da rua do Comércio, um amplo imóvel está desocupado desde julho quando uma loja de eletrodomésticos fechou. Na ocasião, um dos funcionários disse que o aluguel do ponto era muito caro, as vendas haviam caído e a empresa decidiu encerrar as atividades.
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