Franca enfrentou uma onda de assassinatos nos últimos meses. Até a tarde de sábado, 7 de novembro, 20 pessoas já haviam morrido vítimas de tiros, facadas ou pauladas. O número verificado nos dez primeiros meses de 2015 já supera o total registrado no ano passado, 19. Desde 2009, a polícia não registrava tantas ocorrências do tipo. Por que tanta gente está sendo assassinada em Franca? Após avaliar o perfil das vítimas, pesquisar inquéritos e ouvir policiais que trabalham para elucidar os casos, o Comércio constatou que a ampla maioria dos mortos tinha alguma ligação com o crime: tinham envolvimento com drogas, desavenças com os assassinos ou foram condenados à morte por bandidos.
Do total de vítimas, em apenas seis casos a polícia não identificou envolvimento dos mortos com o crime ou sinais de desavenças anteriores entre as partes envolvidas: foram três crimes passionais, dois latrocínios, que é o roubo seguido de morte, e uma criança inocente que foi morta por causa de briga dos pais. Uma das vítimas de latrocínio foi o frentista Márcio Rangel, assassinado a tiros em julho enquanto trabalha no posto Dallas do Jardim Aeroporto I. Entre as pessoas assassinadas por motivação passional estão a soldado de segunda classe Marcela Maria de Oliveira, morta em janeiro, e a bancária, Rosane Berteli de Souza, assassinada no mês passado.
Em 14 ocorrências, ou havia droga, bebida, acerto de contas ou alguma outra desavença a ser resolvida. “A grande maioria das vítimas tinha envolvimento com drogas, possuía antecedentes criminais e frequentava pontos de consumo de entorpecentes e áreas de prostituição, o que, de uma certa forma, contribuiu para a ocorrência”, disse o delegado Márcio Murari, da DIG.
Parte das vítimas tinha em comum passagens pela cadeia e envolvimento com tráfico, roubo e até mesmo homicídios. Quando foi assassinado no City Petrópolis, em setembro, Angrei Roberto Castro, era procurado pela polícia. A Justiça havia expedido um mandado de prisão contra ele por envolvimento no assassinado de um policial militar aposentado em agosto. “No último caso que apuramos, tanto o autor quanto a vítima tiveram problemas por causa do tráfico, ficaram presos juntos e voltaram a brigar. Quando saíram da cadeia, em agosto, foram resolver o problema na rua”, contou o investigador Luciano Tavares. Ele se refere ao caso em que o servente Rony Aparecido da Silva, foi assassinado na Vila São Sebastião, no começo deste mês. No dia 14 de outubro, o tapeceiro Fábio Goulart foi morto com três tiros em uma casa do Jardim Guanabara. Ele tinha passagens por furto, roubo e tráfico e a polícia havia pedido a prisão dele por ter matado um desafeto no mesmo bairro dias antes.
Outras duas pessoas morreram após serem “condenadas” pelo tribunal do crime por suposto envolvimento em estupro. “O homicídio é um crime difícil de se prevenir. Eu digo que a prisão dos autores é o esclarecimento. Temos conseguido bons índices de esclarecimento”, disse o delegado.
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