O homem da inovação tecnológica do Magazine


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O executivo esteve em Franca na semana retrasada para a realização da Virada Mobile, em que funcionários farão vendas com o uso de um aplicativo exclusivo no celular
O executivo esteve em Franca na semana retrasada para a realização da Virada Mobile, em que funcionários farão vendas com o uso de um aplicativo exclusivo no celular
Filho de uma das empresárias mais influentes do País, o executivo Frederico Trajano, 40, tem no sangue o espírito empreendedor e o desejo de bem atender o cliente, pilares sempre defendidos pela mãe, a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano.
 
Herdeiro e diretor de operações da rede, é ele que está à frente de uma das principais novidades da empresa na área de tecnologia neste ano: a implantação de dispositivos móveis para efetuar as vendas. O aplicativo exclusivo, que será utilizado com o auxílio de um smartphone, foi apresentando por Frederico na semana retrasada aos vendedoras da loja matriz, em Franca, e possibilitará uma melhora no tempo de atendimento ao consumidor.
 
Segundo Fred, a mudança é um marco de um ciclo de transformação digital da rede e ele aposta que fará com que as vendas do Magazine Luiza fiquem bastante parecidas as da Apple, nos Estados Unidos, que usa o mesmo modelo. Outro desejo do empresário é fazer com que o brasileiro se relacione melhor com os dispositivos móveis e o Magazine ajude eliminar o receio que parte da população tem da tecnologia. 
 
Conhecedor do comércio eletrônico, o executivo fala nessa entrevista dos desafios e das oportunidades em relação às vendas por smartphones e explica como será feita essa transição.
 
O Magazine Luiza começou a realizar em Franca uma migração da ferramenta de venda do computador para os dispositivos móveis. Que mudança é essa e qual sua importância?
Estamos tendo uma revolução digital no mundo e no Brasil também, onde metade da população está conectada. As pessoas estão usando celular para fazer tudo, saber horário de ônibus, pegar táxi, pagar conta em banco, fazer compra, assistir filme e, nesse contexto, uma rede como o Magazine Luiza precisa “Abraçar o Novo”, que é nosso mantra agora. E uma das melhores maneiras de fazer isso é investir em tecnologia para melhorar o processo de atendimento na loja. Hoje, para se comprar uma geladeira ou mesmo uma boneca, o cliente no sistema tradicional leva de 30 a 45 minutos. Resolvemos, diante desse cenário, investir em tecnologia e usá-la a serviço dos nossos vendedores. Trata-se do modelo mobile de vendas. Nesse sistema, o vendedor vai vender para o consumidor com mais agilidade, mais rapidez.
 
Como funciona esse aplicativo e qual a vantagem para o consumidor?
O sistema tem todo o cadastro de produtos, cadastro de clientes, formas de pagamento, simulador de compra, são várias as ferramentas. É um modo mais moderno e prático de efetuar a venda. Com poucos toques no celular, você conclui a compra. Se antes o tempo era de 30 a 45 minutos, o prazo de compra com o “Mobile Venda” cai para cinco a dez minutos. O tempo hoje é um recurso escasso. As pessoas precisam de mais conveniência, mais velocidade no processo de atendimento e é isso que estamos fazendo.
 
Como foi desenvolvido esse sistema? Ele foi todo produzido internamente?
Sim, foi todo desenvolvido por nós, pela equipe do Luiza Labs. É um laboratório de desenvolvimento de tecnologias. Ele fica em São Paulo, uma estrutura separada do nosso escritório, e tem 75 engenheiros de softwares. Também temos uma equipe em Franca, um pedaço do Luiza Labs na cidade, que produz parte dessa tecnologia. Desenvolvemos tudo dentro de casa, mostrando nossa capacidade de sair mais uma vez na frente, de apresentar essa tecnologia para os nossos consumidores. Para mim, é especialmente emocionante fazer isso na primeira loja da empresa, a loja que tem 58 anos de idade. Trazer essa tecnologia, essa revolução digital para o público de Franca, para a loja 1, que não é uma loja e sim um templo, é algo que me comove muito.
 
Quando essa revolução começou a ser pensada?
Estamos preparando esse sistema desde o começo do ano passado, quando passamos a desenvolver a tecnologia. Implantamos nas lojas de São Paulo e estamos agora trazendo para Franca. Ele hoje ainda é um sistema que não tem o check out, você faz todo o processo, mas precisa se dirigir até o caixa para efetuar o pagamento. A equipe de Franca está desenvolvendo um sistema po meio do qual você vai passar o cartão no próprio celular e não precisará ir até o caixa para pagar. Isso vai economizar ainda mais tempo e, com certeza, será a melhor experiência de compra da cidade.
 
Os clientes pediam por essa agilidade?
Vejo que sim, porque hoje o consumidor tem uma opção de comprar sem sair de casa. Ele consegue realizar uma compra pela internet com dois ou três cliques. Ele não quer ir mais para uma loja e perder tempo. Na verdade, o tempo que o consumidor quer na loja é conversando com o vendedor e não na burocracia do processo de venda. Para reduzir essa burocracia, facilitar o processo e deixar tempo para o consumidor conversar com o vendedor, tirar dúvidas do produto, criamos esse sistema. Era isso que a gente queria.
 
Como estão as vendas online do Magazine?
As vendas pela internet do Magazine Luiza têm crescido uma média de 35% ao ano nos últimos cinco anos e hoje representam 20% do faturamento da empresa. Já vendemos mais de R$ 2 milhões por ano só pela internet e essa porcentagem está aumentando. Além do site temos a venda social, chamada de Magazine Você. É uma rede de vendas pelas redes sociais, a maior que existe, e está tendo uma procura muito grande nesse período de recessão, pois nessa plataforma as pessoas, exceto funcionários do Magazine, podem fazer vendas e ganhar um percentual dessas operações. 
 
Existe diferença entre os clientes das lojas físicas e os da internet?
Existe uma certa diferença entre os clientes das lojas físicas com os da internet. Geralmente os clientes da internet são de faixa de renda mais alta e um pouco mais jovens do que os clientes de lojas, mas essa diferença, na medida que a população brasileira vai tendo acesso à internet e a população de baixa renda mais acesso a cartão, vai diminuir muito. Existe a diferença, mas acredito que no prazo de cinco a dez anos não haverá mais e tanto a internet como as lojas físicas terão o mesmo público.
 
O que é preciso ser feito para que a loja física se torne interessante diante da internet?
Cada vez mais a loja tem que ser um centro de experiência. O atendimento é fundamental para convencer o cliente a sair de casa, enfrentar trânsito e chegar até uma loja e, às vezes, pegar fila para pagar. Para isso, o grande diferencial de uma loja, além do ambiente agradável, é o atendimento. O vendedor precisa estar muito bem informado e prestar um serviço diferenciado ao consumidor. É assim que a loja física vai continuar relevante no futuro.
 
Uma mudança como essa ser realizada em um período de economia em crise pode ser considerada como um desafio?
Acho que o momento de crise é o mais adequado para inovação. Quase todas as inovações da humanidade surgiram em momentos de dificuldade. Você vê aqui, aquela nossa loja virtual que abrimos em Ituverava, se deu em uma época de crise econômica brasileira. Abrimos uma loja de 150 metros quadrados sem estoque, para que pudéssemos continuar abrindo novas lojas. Foi uma inovação que acabou nos dando pionerismo na internet em um momento de crise e agora é a mesma coisa. Esse processo vai fazer com que a gente ganhe produtividade e também vamos reduzir custos. O processo ficará mais rápido e, com isso, você vai ganhar tempo livre do vendedor para que ele possa fazer mais vendas. É justamente em momento de crise que você precisa investir em tecnologia e inovação.
 
A crise atual está afetando o Magazine Luiza?
Sim, a crise hoje é conjuntural. Ela afeta toda a cadeia de itens de maior valor agregado. Você pega imóveis, automóveis e bens duráveis, que a gente vende, toda a cadeia está sentindo bastante. Mas o Magazine Luiza está sentindo menos que a concorrência justamente por estarmos investindo em tecnologia. Em geral, sentimos a crise, mas estamos amortecendo com inovações como essa. Até o meio do ano que vem, 780 lojas estarão com o sistema e mais de 8 mil vendedores terão o smartphone para a venda.

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