Uma tragédia que se repetirá, infelizmente


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Há algumas décadas, uma das propagandas ufanistas que nos tentavam “vender” como um paraíso na terra, propagava que aqui não tínhamos fenômenos naturais como em outras nações (envolvidos aí furacões, terremotos, vulcões e outros de grande vulto, que sempre deixam um rastro de desolação e mortos onde ocorrem). Aqui, havia apenas fenômenos pontuais e completamente fora da curva. Pois é: havia! Hoje, embora ainda não tenhamos vulcões ou algo do gênero, passamos a ser assolados por fenômenos climáticos ou acidentes trágicos que deixam dezenas ou centenas de mortos, como já ocorreu diversas vezes em nossa história recente. Bata lembrar os deslizamentos de terras em Angra dos Reis, na região serrana do Rio de Janeiro, no Morro do Bumba em Niterói ou as chuvas torrenciais que atingem a região Sul do País, deixando mortos, desabrigados e prejuízos de alta monta.
 
Não precisamos ir muito longe: a cada chuva mais forte, Franca sofre, com alagamentos (principalmente nas áreas marginais de córregos, como o dos Bagres ou Cubatão), queda de energia e prejuízos materiais. E tudo isso se deve exclusivamente às intervenções do ser humano no meio ambiente, com a ocupação desordenada dos espaços que se transformaram em áreas urbanas sem qualquer preocupação com o que poderia advir. A impermeabilização do solo, com a pavimentação de ruas e avenidas, além da construção de prédios, hoje são responsáveis pelas enchentes advindas de córregos, que recebem um volume absurdo de água que escoa até o seus leitos, sem conseguir dar vazão à torrente que se forma. Isso acontece em Franca e na maioria das grandes cidades, sem que haja uma grande possibilidade de mudar tudo.
 
Após centenas de anos de abusos, a natureza cobra a fatura. Atualmente não temos como reverter este quadro. Hoje, se fala muito em sustentabilidade, mas seria necessário se destruir tudo o que já existe para resolver a questão. Há iniciativas isoladas e, aparentemente, não há uma preocupação maior do Poder Público em pelo menos tentar minimizar o problema. Investir em obras ‘enterradas’ (como uma galeria de coleta de águas pluviais) não dá votos, considera a maioria de nossos políticos. A tragédia que atingiu Mariana (MG), onde o estouro de duas barragens da mineradora Samarco praticamente soterrou o distrito de Bento Rodrigues num mar de lama, deixando pelo menos dois mortos e uma dezena de desaparecidos, é mais uma prova de que ainda continuaremos acompanhando tragédias como a de anteontem. Quem sofrerá serão os nossos descendentes, uma vez que a questão torna-se mais grave a cada dia. Infelizmente.
 
 
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