Mais uma vez, a falta de médicos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto deixou pacientes por mais de seis horas sem atendimento. O problema, registrado na manhã e início da tarde de ontem, fez com que diversos pacientes desistissem e voltassem para casa. Em alguns casos, pacientes aguardavam desde as 7 horas da manhã. Até as 14 horas, momento em que a reportagem esteve no local, o profissional ainda não havia chegado e iniciado os atendimentos. Já na recepção, novos pacientes que chegavam eram informados de que não havia médico e deveriam voltar mais tarde ou procurar atendimento em outra unidade de saúde.
Com muitas dores no estômago, Viviane Evangelista, moradora no Aeroporto II, espera atendimento desde as 7 horas da manhã. “Estou há mais de seis horas esperando e não tem médico. Diversas pessoas já desistiram e acabaram indo embora, mas estou com muita dor e não sei mais o que fazer”, disse.
Mal conseguindo ficar de pé, a cuidadora de idosos Ana Paula Amaral, 24, moradora no Palestina, aguardava atendimento desde as 10 horas. Vomitando sem parar, com dores no peito e formigamento, ela havia sido informada que deveria continuar esperando, sem saber até quando. “Não sei o que eles pensam, oferecendo esse atendimento tão precário. Se estamos aqui, é porque precisamos, mas o serviço não anda, não funciona mesmo. Estamos abandonados e a Prefeitura não toma nenhuma atitude”, revoltou-se.
Depois de fraturar o joelho há três meses e ainda sofrer com as dores, o pensionista José Luiz Pereira, 69, resolveu procurar a UPA. Assim que chegou à unidade, às 13h30, ele foi informado que não havia médico e que deveria retornar mais tarde ou aguardar. “Vou procurar outro lugar para ser atendido, aqui já vi que não vai virar nada”, disse.
Medicamentos
Outro problema é a falta de medicamentos. De acordo com os pacientes, muitos dos remédios receitados pelos médicos não constam do estoque.
Aguardando atendimento desde as 9 horas da manhã, Lucimar Aparecida Siqueira, moradora do Aeroporto III, ainda revelou que a falta de medicamentos na farmácia da UPA é frequente. “Essa é a primeira vez que eu espero tanto tempo por atendimento, mas na semana passada estava precisando de dipirona e nem isso tinha. Muitas pessoas relatam a falta de remédios mais simples”, disse.
Histórico
Os problemas com a falta de médicos na UPA se agravaram desde o início do mês passado, quando os médicos escalados para os plantões estavam sendo impedidos de trabalhar pela coordenadora de Urgência e Emergência, Rosemeire Vilela, devido ao excesso de horas extras realizadas pelos profissionais.
Na época, em entrevista ao Comércio, a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, informou que os médicos não poderiam exceder o teto de R$ 15 mil, valor autorizado para pagamento, ou ficariam sem receber.
Sem resposta
Procurada para comentar a falta frequente de médicos na unidade, a Secretaria de Saúde não retornou o contato da reportagem até o fechamento desta edição.
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